Itália expressa dúvidas sobre expandir missões da UE para Estreito de Ormuz
EUA têm pressionado aliados a agir para romper bloqueio iraniano
O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, expressou nesta segunda-feira (16) dúvidas sobre a viabilidade de expandir as missões navais Aspides e Atalanta, da União Europeia, para o Estreito de Ormuz.
Essa rota marítima é crucial para o escoamento da produção de petróleo e gás natural do Golfo Pérsico e foi bloqueada pelo Irã em represália à guerra lançada por EUA e Israel em 28 de fevereiro, provocando uma disparada dos preços globais de commodities de energia.
A Aspides é uma missão defensiva que visa escoltar navios mercantes no Mar Vermelho e protegê-los contra eventuais ataques dos houthis, no Iêmen, enquanto a Atalanta é uma operação militar antipirataria no Chifre da África e no Oceano Índico Ocidental.
"Estamos dispostos a fortalecer as missões Aspides e Atalanta", disse Tajani ao chegar em Bruxelas para uma reunião de ministros das Relações Exteriores da UE. "No entanto não acredito que essas missões possam ser expandidas para incluir o Estreito de Ormuz, especialmente porque uma missão é defensiva e a outra é antipirataria", salientou.
O tema será debatido na reunião de chanceleres europeus nesta segunda-feira, em meio às pressões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para países aliados enviarem navios para romper o bloqueio iraniano no Estreito de Ormuz.
"Vamos tentar entender se é possível alterar o mandato da missão Aspides. O ponto é compreender se os Estados-membros desejam utilizar esta operação para garantir a segurança na região do Estreito de Ormuz", declarou a alta representante da UE para Política Externa, Kaja Kallas.