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Itália e aliados da UE pedem imposto sobre lucros inesperados de empresas de energia

Apelo é feito em meio à escalada dos preços do petróleo por causa da guerra no Irã

5 abr 2026 - 13h00
(atualizado às 13h31)
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A Itália, em conjunto com Espanha, Alemanha, Áustria e Portugal, defenderam no último sábado (4) um novo imposto europeu sobre os lucros extraordinários das empresas de energia, em meio à escalada dos preços do petróleo associada ao conflito no Oriente Médio.

Preço do combustível aumentou em meio ao conflito no Oriente Médio
Preço do combustível aumentou em meio ao conflito no Oriente Médio
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A iniciativa é liderada pelo ministro da Economia italiano, Giancarlo Giorgetti, que, juntamente com os seus homólogos dos outros quatro países, enviou uma carta à Comissão Europeia pedindo uma resposta coordenada para conter o impacto da crise energética sobre famílias e empresas.

No documento, os ministros defendem a criação de um mecanismo europeu capaz de tributar os ganhos excepcionais do setor energético, argumentando que os custos da atual crise não devem recair exclusivamente sobre os consumidores e os orçamentos públicos.

A carta menciona explicitamente o aumento dos preços do petróleo associado ao agravamento das tensões com o Irã, bem como as distorções de mercado provocadas por conflitos geopolíticos.

"Uma solução europeia deste tipo enviaria um sinal claro aos cidadãos e à economia, demonstrando unidade e capacidade de ação", afirmam os signatários. "Aqueles que se beneficiam das consequências da guerra devem contribuir para aliviar o fardo sobre os cidadãos", acrescentam.

A Comissão Europeia confirmou o recebimento da proposta. Em resposta, um porta-voz afirmou que a situação está sendo analisada e uma posição será apresentada "oportunamente".

Bruxelas indicou ainda que está trabalhando em estreita colaboração com os Estados-membros para avaliar possíveis medidas políticas específicas em decorrência da atual crise energética.

Apesar de reconhecer que o contexto atual difere do de 2022, quando a União Europeia introduziu uma contribuição de solidariedade temporária após a invasão da Ucrânia pela Rússia, a Comissão ressaltou a importância de aplicar as lições aprendidas nesse período.

A proposta, no entanto, enfrenta resistência por parte da indústria. Na Itália, a associação Unem, que representa empresas do setor petrolífero, reagiu com críticas, classificando a iniciativa como surpreendente e preocupante.

A entidade alertou para o risco de novas medidas criarem instabilidade e comprometerem os esforços do setor para garantir a segurança do abastecimento energético.

Os cinco países defendem que a atual volatilidade dos mercados energéticos exige uma intervenção imediata a nível europeu. Argumentam ainda que é essencial estabelecer um quadro jurídico harmonizado para evitar fragmentação entre os Estados-membros e assegurar condições de concorrência equitativas no mercado interno.

No contexto atual, a implementação da contribuição extraordinária variou significativamente entre países, com receitas abaixo do esperado em alguns casos. Na Itália, por exemplo, a arrecadação ficou em cerca de 2,8 bilhões de euros, muito aquém dos 10 bilhões inicialmente previstos. 

Ansa - Brasil
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