Israelenses e palestinos se acusam de sabotagem das negociações de cessar-fogo em Gaza
Continuam no Catar as negociações em busca de um cessar-fogo perene em Gaza. No entanto, palestinos e israelenses trocam acusações mútuas de sabotagem do processo de paz.
Continuam no Catar as negociações em busca de um cessar-fogo perene em Gaza. No entanto, palestinos e israelenses trocam acusações mútuas de sabotagem do processo de paz.
Uma autoridade israelense acusou, neste sábado (12), o movimento islamista palestino Hamas de "sabotar" as negociações em Doha sobre um cessar-fogo e a libertação de reféns na Faixa de Gaza. Segundo essa autoridade, "o Hamas rejeitou a proposta do Catar, cria obstáculos, recusa-se a fazer concessões e acompanha as negociações com uma guerra psicológica com o objetivo de sabotá-las".
As delegações de ambos os lados iniciaram negociações na capital do Catar, Doha, no último domingo (6) para tentar chegar a uma trégua no conflito desencadeado pelo ataque do movimento islamista palestino Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023. Tanto o Hamas quanto Israel indicaram que dez pessoas sequestradas pelos islamistas naquele dia e que permanecem reféns em Gaza seriam libertadas se um acordo de cessar-fogo de 60 dias fosse alcançado.
No entanto, uma fonte palestina afirmou que a recusa de Israel em se retirar do território impede o progresso nas negociações, nas quais Estados Unidos, Egito e Catar são mediadores. As negociações enfrentam "obstáculos e dificuldades complexas", disse a fonte palestinas à AFP, destacando a "insistência" de Israel em se ater a um mapa que prevê "manter suas forças em mais de 40% da Faixa de Gaza", um território de mais de dois milhões de habitantes, devastado por mais de 21 meses de guerra.
Segundo esta mesma fonte, o objetivo de Israel é "aglomerar centenas de milhares de deslocados em uma área a oeste de Rafah, em preparação para um deslocamento forçado da população para o Egito ou outros países".
Nos últimos dias, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reafirmou que, com esta guerra, seu país busca libertar os reféns cativos em Gaza, destruir as capacidades militares e governamentais do Hamas e expulsar o movimento islamista palestino de Gaza. Semanas atrás, o premiê afirmou que queria assumir o controle do território palestino.
Situação humanitária se degrada
Enquanto isso, a situação humanitária no território palestino se degradar. Sete agências da ONU alertaram, neste sábado (12), em uma declaração conjunta, que a escassez de combustível em Gaza atingiu "níveis críticos" e poderia constituir "uma nova carga insuportável para uma população à beira da inanição". Segundo as organizações, "estas condições expõem as famílias a surtos de doenças mortais e empurram os mais vulneráveis de Gaza ainda mais perto da morte".
O Exército israelense continuou a ofensiva lançada em resposta ao ataque do Hamas em 7 de outubro, que deixou mais de 20 mortos neste sábado, segundo a Defesa Civil de Gaza. Entre os mortos estavam um homem, sua esposa e seu filho, que morreram quando sua barraca foi atingida por um bombardeio noturno no campo de deslocados de Deir al-Balah, no centro do território, disse Mahmoud Basal, porta-voz do corpo de socorristas.
O Exército israelense, por sua vez, informou ter "bombardeado cerca de 250 alvos terroristas" nas últimas 48 horas em todo o território palestino.
(Com AFP)