Israel intensifica ataques no sul do Líbano após discurso do líder do Hezbollah, Naïm Qassem
O Exército israelense intensificou os ataques nesta segunda-feira (28) no sul do Líbano, onde dezenas de bombardeios aéreos, explosões de casas e ataques de artilharia foram registrados desde o amanhecer. As ofensivas foram acompanhadas por sobrevoos constantes de aviões e drones de reconhecimento em várias regiões do país.
Israel intensificou os ataques no sul do Líbano após o líder do Hezbollah, Naïm Qassem, rejeitar o desarmamento do grupo e prometer manter a resistência armada. As forças israelenses bombardearam cerca de 15 localidades ao norte e ao sul do rio Litani e realizaram demolições sistemáticas em áreas ocupadas, como Mansouri. A nova escalada desafia os acordos firmados em junho, ocorrendo em um conflito que já deixou mais de 4.300 mortos no Líbano desde março.
Paul Khalieh, correspondente da RFI em Beirute, e AFP
A escalada israelense ocorre um dia após um discurso do líder do Hezbollah, Naïm Qassem, no qual ele voltou a rejeitar o desarmamento do grupo, apesar dos reveses militares sofridos e das pressões internas e internacionais.
Em um discurso televisionado no domingo (27), que marcou o aniversário das mortes do histórico líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, e de seu sucessor, Hachem Safieddine, abatidos em setembro de 2024, Qassem prometeu continuar a "resistência" contra Israel "até a libertação total" do sul do Líbano.
O líder xiita também criticou duramente as autoridades libanesas, acusando-as de fazer "concessões gratuitas" a Israel, e pediu o fim das negociações.
Poucas horas após o fim do discurso, o Exército israelense intensificou suas operações militares tanto ao sul quanto ao norte do rio Litani. Aviões, drones e helicópteros realizaram ataques contra cerca de 15 localidades. Também foram registradas dezenas de operações de demolição de casas e outras infraestruturas. As explosões foram ouvidas a vários quilômetros de distância.
O Exército israelense também realizou uma "enorme" explosão em Mansouri, localidade que ocupa no sul do Líbano, segundo a agência oficial de notícias libanesa e correspondentes da AFP na região de Tiro.
Explosão e destruição
Os correspondentes da AFP viram grossas colunas de fumaça cinza subirem da localidade costeira, que foi em grande parte destruída. A Agência Nacional de Informação (Ani) afirmou que uma "enorme explosão provocada pelas forças israelenses sacudiu Mansouri", causando fortes tremores. As detonações foram ouvidas em Tiro, a cerca de dez quilômetros de distância, e nas aldeias vizinhas.
Quando o cessar-fogo entre Líbano e Israel foi anunciado, em junho, o Exército israelense controlava parte de Mansouri e ocupava uma faixa de cerca de dez quilômetros de largura ao longo da fronteira. Em 22 de junho, a prefeitura informou aos moradores que poderiam retornar para suas casas, mas pediu que evitassem a parte localizada na "zona de segurança" ocupada por Israel.
No início de agosto, o Exército israelense ordenou que os moradores de Mansouri deixassem a localidade e, posteriormente, passou a ocupá-la por completo. Desde então, realiza demolições sistemáticas na região, visíveis para os moradores da área de Tiro, segundo os correspondentes da AFP.
O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra regional no início de março, ao lançar ataques contra Israel em apoio ao seu aliado iraniano. Israel respondeu com intensos bombardeios que deixaram mais de 4.300 mortos, segundo as autoridades libanesas.
A violência diminuiu após um protocolo de entendimento entre Estados Unidos e Irã e, posteriormente, um acordo-quadro entre Líbano e Israel, ambos concluídos em junho. Israel, porém, continua realizando ataques no sul do Líbano, além de explosões e demolições nas localidades que ocupa.
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