Iraque encerra canal de televisão Al Hurra depois do corte de financiamento dos EUA
É o fim da Al Hurra. O canal de televisão em árabe criado durante governo Bush, transmitido para o Oriente Médio e o norte da África, que foi financiado por mais de 20 anos pelo Congresso dos EUA, deixará de ser transmitido. O CEO da emissora acusou o governo do republicano Donald Trump de cortar abrupta e ilegalmente o financiamento do canal.
É o fim da Al Hurra. O canal de televisão em árabe criado durante governo Bush, transmitido para o Oriente Médio e o norte da África, que foi financiado por mais de 20 anos pelo Congresso dos EUA, deixará de ser transmitido. O CEO da emissora acusou o governo do republicano Donald Trump de cortar abrupta e ilegalmente o financiamento do canal.
Com informações da correspondente da RFI em Bagdá, Marie-Charlotte Roupie
A Al Hurra foi criada durante o governo de George Bush em 2004, após a invasão do Iraque pelos EUA. Financiado por Washington, o objetivo era contrabalançar o discurso dos canais de língua árabe, acusados pelos Estados Unidos de propaganda antiamericana.
O grupo Middle East Broadcasting Networks (MBN), a empresa controladora da Al Hurra, afirma que o meio de comunicação tinha uma audiência de quase 30 milhões de pessoas por semana em 22 países. Mas estava sofrendo com a concorrência da Al Jazeera, da Al Arabiya e da Sky News Arabia, todas financiadas pelos países do Golfo.
A anulação das transmissões do canal ocorre em um momento em que Al Hurra já sofreu cortes de pessoal nos últimos meses e teve que fechar sua emissora no Iraque. A maior parte da equipe foi demitida, com exceção de alguns funcionários responsáveis pela continuidade das atividades do site.
O Congresso dos EUA aprovou seus subsídios em meados de março. Mas o governo Trump, como parte de uma ampla iniciativa de corte de custos liderada pelo bilionário Elon Musk, decidiu acabar com toda verba para a mídia financiada pelo governo.
De acordo com o CEO da MBN, Jeffrey Gedmin, esses subsídios dos EUA foram retirados "ilegalmente", e Kari Lake, chefe da agência responsável pela supervisão da mídia pública, recusou-se a discutir o assunto. Jeffrey Gedmin em uma nota para a equipe escreveu: "Concluo que ela está deliberadamente nos privando do dinheiro de que precisamos para pagar a vocês, nossa equipe dedicada e trabalhadora", lamentou ele, acrescentando que a Al Hurra deixaria de transmitir e reduziria sua força de trabalho a 'algumas dezenas'.
Jeffrey Gedmin alertou ainda que "no Oriente Médio, a mídia se alimenta do antiamericanismo" e que o fim dos programas da Al Hurra poderia "abrir caminho para os adversários dos Estados Unidos e para os extremistas islâmicos".
A Al Hurra recebe financiamento público, mas, ao contrário da Voz da América (VoA), não é considerada um braço do governo dos EUA. As estações de rádio Voice of America e Radio Free Asia, que são particularmente importantes na África e em países asiáticos onde a liberdade de imprensa é negada, estão sob séria ameaça de fechamento. Isso apesar do fato de os funcionários da VoA terem obtido um adiamento do Congresso, que financia a estação.
Outros meios de comunicação em situações semelhantes também tentaram continuar. A Radio Free Europe, que desempenhou um papel vital na Guerra Fria e agora está sediada em Praga, recebeu promessas de apoio do governo tcheco para substituir o financiamento dos EUA. A Radio Free Asia, cujo objetivo é fornecer notícias para a China, Coreia do Norte e outros países asiáticos sem mídia livre, tem fornecido notícias on-line em um ritmo reduzido.