Irã se diz disposto a reabrir Estreito de Ormuz em dois dias, se EUA aceitar condições
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta segunda-feira (2) que o país examina um plano para reabrir o Estreito de Ormuz em dois dias, caso o governo dos Estados Unidos aceite as suas condições. Um projeto de acordo com Washington circula após as negociações realizadas no fim de semana.
O Irã declarou que pode reabrir o Estreito de Ormuz em dois dias se os EUA aceitarem sua proposta mediada pelo Catar. O plano exige o fim das sanções ao petróleo iraniano, a suspensão do bloqueio naval americano, a redução militar dos EUA na região e novas rotas de navegação. Enquanto Washington e Israel ameaçam com novos ataques, Teerã promete retaliação firme, recebendo apoio diplomático da China, que defende uma solução política para evitar a escalada militar no Oriente Médio.
Negociadores iranianos deixaram Doha após conversas com mediadores do Catar. Um rascunho de proposta para encerrar o conflito com os Estados Unidos está circulando atualmente, informou nesta segunda-feira uma fonte a par das discussões. Segundo ele, outra reunião pode ocorrer em breve.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, declarou que as negociações se basearam em um plano de sete etapas, elaborado por Teerã em setembro, para reabrir o Estreito de Ormuz e pôr fim ao bloqueio naval americano contra o Irã. O regime islâmico avalia que essa proposta poderia ser implementada mais rapidamente no âmbito de um acordo.
Baqaei ressaltou que "a troca de mensagens (com os Estados Unidos) continua" por meio de mediadores e que "tudo depende" de Washington aceitar seus pedidos. "Só então poderemos falar das etapas posteriores", disse.
"A possibilidade de implementar este plano em dois dias é mais uma demonstração da postura de boa-fé do Irã", acrescentou Esmaeil Baqaei. "Se as demandas do Irã forem atendidas, será possível restaurar a segurança no Estreito de Ormuz e retomar o processo de negociação em um prazo de tempo muito curto", reiterou.
A rota crucial para o trânsito de hidrocarbonetos, bloqueada por Teerã desde o início da guerra, é um dos principais focos de tensão com Washington e cenário habitual de ataques entre as partes. O Irã reivindica o controle de Ormuz e ataca com frequência navios que tentam atravessar a via sem a sua autorização.
Antigas e novas exigências do Irã
Em setembro, o regime islâmico havia apresentado, por meio do Catar, um plano para reabrir o Estreito de Ormuz, seis dias após o governo dos Estados Unidos responder às suas demandas. Entre as exigências estavam um cessar-fogo regional, a liberação dos ativos iranianos no exterior, o fim das sanções contra o setor de petróleo iraniano e o fim do bloqueio americano aos seus portos.
Os mesmos pontos já apareciam no protocolo de acordo de junho, alcançado após um primeiro cessar-fogo em vigor desde abril. A trégua foi interrompida pouco depois e os ataques foram retomados.
No domingo, em uma entrevista ao canal Al Jazeera, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, aumentou a lista de demandas do país. Ele disse que Washington deveria aceitar "o novo itinerário acordado entre o Irã e Omã para o trânsito" de navios pelo Estreito de Ormuz. Entre as exigências, ele mencionou ainda uma redução da presença militar americana no Oriente Médio.
O novo ciclo de negociações no Catar ocorre em um momento em que se teme uma escalada militar após as eleições de meio de mandato, que serão realizadas na terça-feira (3) nos Estados Unidos. Questionado sobre a visão de Teerã a respeito dessas eleições, Esmaeil Baghaei indicou que Teerã não espera que elas "deem origem a um novo país".
Ameaças de novos ataques
Embora a frente militar tenha se acalmado desde setembro, Estados Unidos e Israel, ambos imersos em processos eleitorais, ameaçaram recentemente retomar os ataques contra o Irã.
No domingo (1°), o presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que seu país havia destruído grande parte das capacidades militares do Irã, mas que ainda precisava lidar com "um ou dois" objetivos.
"A única razão pela qual ainda não acabei com o Irã é porque quero ser gentil. Quero tentar salvar todas estas vidas, se puder", afirmou em um comício em Iowa. "Mas em algum momento teremos que dar um golpe contundente neles", insistiu.
"Qualquer ato de agressão contra o Irã receberá uma resposta firme, imediata e global da nossa parte", declarou Esmaeil Baghaei nesta segunda-feira.
Já o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, assegurou hoje o apoio do país ao Irã na "defesa de sua soberania e de sua segurança", durante uma visita a Pequim do secretário-adjunto iraniano do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Bagheri.
"Todas as partes devem (...) com um espírito de razão e pragmatismo, privilegiar uma solução política em vez de recorrer, mais uma vez, a um conflito armado", reiterou Wang Yi.
A China, um dos principais parceiros econômicos do Irã, busca há muito tempo promover uma desescalada no conflito que abala o Oriente Médio há vários meses.
RFI com agências
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