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Irã questiona compromisso dos EUA com iniciativas de paz enquanto Israel ataca o Líbano

14 jun 2026 - 12h42
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O principal negociador ‌do Irã questionou o compromisso dos Estados Unidos com os esforços de paz após Israel realizar novos ataques ao Líbano, diminuindo as perspectivas de Teerã e Washington assinarem um acordo preliminar neste domingo para encerrar a guerra.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o Paquistão, mediador do acordo, disseram no sábado esperar que o acordo fosse assinado neste domingo, mas Teerã levantou dúvidas sobre o cronograma e manifestantes linha-dura no Irã manifestaram oposição.

Negociadores ⁠do Catar viajaram para Teerã na manhã deste domingo como parte de um esforço para finalizar o acordo, disse à ‌Reuters uma fonte com conhecimento da situação.

Mas o negociador iraniano Mohammad Baqer Qalibaf afirmou que o ataque de Israel neste domingo aos subúrbios do sul de Beirute, que Israel afirmou ter como alvo militantes do Hezbollah ‌apoiados pelo Irã, mostrou que os EUA não têm vontade nem ‌capacidade de cumprir seus compromissos.

"Se você não tem a vontade e a capacidade de cumprir seus compromissos, ⁠falar em continuar o caminho não é possível", escreveu ele no X, em uma aparente referência às iniciativas de paz.

Mohammad Jafar Assadi, vice-comandante do principal comando militar conjunto do Irã, foi citado pela mídia estatal dizendo que os "crimes" israelenses nos subúrbios do sul de Beirute não ficariam impunes.

GOLPE ISRAELENSE

Iniciada em 28 de fevereiro, a guerra dos EUA e Israel contra o Irã acirrou o conflito entre Israel e o Hezbollah, grupo alinhado ao Irã, ‌no Líbano, e Israel já afirmou que não faz parte do acordo entre os EUA e o Irã.

O Exército israelense ‌afirmou neste domingo que o Hezbollah ⁠lançou três projéteis contra comunidades ⁠no norte de Israel, violando o cessar-fogo no Líbano.

Em seguida, Israel disparou contra o que chamou de alvos do Hezbollah no ⁠bairro de Dahiyeh, em Beirute, num ataque que, segundo a ‌defesa civil libanesa, matou três pessoas.

A Fox ‌News citou um diplomata não identificado envolvido nas negociações, que afirmou que os ataques israelenses estavam complicando os esforços para finalizar o acordo EUA-Irã e os descreveu como uma tentativa de sabotar esses esforços.

Israel não respondeu imediatamente à afirmação.

Israel afirmou que manterá a liberdade de operações no Líbano, enquanto Teerã incluiu ⁠um cessar-fogo total como componente importante de suas exigências para o acordo.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também entrou em conflito com Trump devido às exigências dos EUA para que Israel limite a ação militar no Líbano, a fim de permitir que Washington chegue a um acordo com Teerã.

INCERTEZA QUANTO AO MOMENTO DA ASSINATURA

Milhares de pessoas foram mortas, principalmente no Irã e no Líbano, desde que ‌os EUA e Israel iniciaram os ataques. O Irã atacou Israel e os países do Golfo que abrigam bases norte-americanas e bloqueou efetivamente o Estreito de Ormuz, uma via crucial para o abastecimento global de petróleo. ⁠O bloqueio elevou os preços globais da energia, enquanto a Marinha dos EUA bloqueou portos iranianos.

No sábado, Trump havia anunciado que o acordo com o Irã estava programado para ser assinado neste domingo, dia do seu 80º aniversário. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, disse que Islamabad estava se preparando para uma assinatura eletrônica, seguida de negociações em nível técnico na próxima semana.

Mas antes da publicação de Trump, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, foi citado pela mídia estatal dizendo que isso "não aconteceria" neste domingo, embora pudesse ocorrer "nos próximos dias".

A agência de notícias iraniana Fars citou neste domingo uma fonte informada sobre o assunto, segundo a qual Teerã ainda não havia tomado uma decisão final sobre o acordo preliminar, e ainda analisa seus aspectos políticos, jurídicos e técnicos a nível de especialistas e de tomada de decisão.

Uma autoridade iraniana disse à Reuters que, nos termos do rascunho do acordo, os EUA teriam concordado em liberar US$25 bilhões em ativos iranianos congelados, enquanto Teerã concordaria em não produzir ou adquirir armas nucleares.

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