Irã mantém ataques a Israel e aliados, enquanto impasse sobre negociação de paz permanece
Nesta quinta-feira (26), 27º dia da guerra no Oriente Médio, os ataques continuam por toda a região. O exército israelense informou ter respondido a mísseis iranianos. Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrein e Arábia Saudita também foram alvo de drones e mísseis vindos do Irã - que continua a negar estar negociando um acordo de paz com os Estados Unidos.
Teerã visou bases americanas na região. Vídeos publicados nas redes sociais mostram incêndios de grandes proporções nos alvos.
Duas pessoas morreram e outras duas ficaram feridas por destroços de um míssil interceptado que caíram nos arredores da capital dos Emirados Árabes Unidos, Abu Dhabi, anunciaram as autoridades locais nesta quinta-feira. "O incidente resultou na morte de duas pessoas não identificadas, deixou outras três feridas e danificou vários carros", informaram as autoridades de Abu Dhabi no X.
O Irã declarou que, caso haja alguma tentativa de ocupar a ilha iraniana de Kharg, no Golfo Pérsico, todos os alvos na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Bahrein já estão predeterminados, e haverá ataques "significativos" contra a infraestrutura desses países.
Já em Israel, seis pessoas ficaram levemente feridas em Kafr Qassem, cidade árabe no centro do país, após o lançamento de um ou mais mísseis iranianos, de acordo com os serviços de emergência israelenses. O Magen David Adom (MDA), equivalente israelense da Cruz Vermelha, especificou que as vítimas, "com ferimentos leves", foram levadas para hospitais.
Em Teerã, a noite foi relativamente tranquila, mas duas séries de ataques atingiram bairros residenciais na cidade de Isfahan. O exército israelense informou ter concluído "ataques em larga escala" contra infraestruturas não especificadas em diversas áreas do Irã, incluindo Isfahan, no centro do país.
Trump insiste estar 'negociando' a paz; Irã nega
No plano diplomático, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou que Teerã participa de negociações e deseja um acordo para pôr fim à guerra, apesar de o Irã desmentir.
"Eles estão negociando e querem muito chegar a um acordo, mas têm medo de dizer isso" por receio de "serem mortos por seu próprio povo", disse o presidente americano a um grupo de parlamentares republicanos em Washington, na noite de quarta-feira (25).
Até o momento, não há informações confiáveis sobre quem, do lado iraniano, estaria liderando essas negociações mencionadas por Washington. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, voltou a dizer que o país "não tem intenção de negociar" e planeja "continuar resistindo".
Uma proposta dos Estados Unidos, que, segundo a imprensa americana e israelense, contém 15 pontos, foi transmitida ao Irã pelo Paquistão, que mantém boas relações com ambos os países. "Às vezes, mensagens podem ser transmitidas, mas isso não pode, de forma alguma, ser descrito como diálogo ou negociação", observou Araghchi na televisão estatal. O Irã quer "encerrar a guerra em seus próprios termos", enfatizou.
Reunião do G7
As iniciativas diplomáticas se multiplicaram nos últimos dias na tentativa de pôr fim a uma guerra que se tornou "fora de controle", nas palavras do secretário-geral da ONU, António Guterres. No entanto, nenhuma proposta diplomática se materializou até o momento, embora Pequim tenha afirmado na quinta-feira que viu "sinais favoráveis às negociações" vindos tanto dos Estados Unidos quanto do Irã.
O conflito estará na pauta da reunião de ministros das Relações Exteriores do G7 nesta quinta-feira, na França, à qual o secretário de Estado americano, Marco Rubio, se juntará na sexta-feira (27). O Brasil participa como país convidado. O chanceler Mauro Vieira está na França para os encontros.
Enquanto isso, Israel continua sua intervenção contra o Hezbollah pró-Irã no Líbano, onde seus ataques aéreos deslocaram mais de um milhão de pessoas desde que o país entrou na guerra. Nesta quinta-feira, o exército israelense anunciou que um de seus soldados havia sido gravemente ferido na véspera por disparos de morteiro direcionados às suas tropas no Líbano.
Com AFP