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Agência africana de saúde anuncia novo surto de Ebola no Congo, com 65 mortes suspeitas

15 mai 2026 - 16h51
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A principal agência de saúde pública da África anunciou nesta sexta-feira um ‌surto de Ebola na província de Ituri, na República Democrática do Congo, com 65 mortes em 246 casos suspeitos até o momento.

Termômetros na entrada de um centro de tratamento de Ebola na cidade de Butembo, na República Democrática do Congo
4 de outubro de 2019
REUTERS/Zohra Bensemra
Termômetros na entrada de um centro de tratamento de Ebola na cidade de Butembo, na República Democrática do Congo 4 de outubro de 2019 REUTERS/Zohra Bensemra
Foto: Reuters

Os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças informaram em um comunicado que estão convocando uma reunião urgente com o Congo, Uganda, Sudão do Sul e parceiros globais para reforçar a vigilância transfronteiriça, a preparação e os esforços de resposta.

Segundo o órgão, as mortes e os casos suspeitos ⁠foram registrados principalmente nas zonas de saúde de Mongwalu e Rwampara, enquanto quatro mortes foram registradas entre os ‌casos confirmados em laboratório. Casos suspeitos também foram registrados em Bunia, capital da província.

A agência afirmou que resultados iniciais sugerem a presença de uma cepa diferente da de Zaire, com o sequenciamento ainda em andamento ‌para caracterizá-la com mais precisão.

Jean-Jacques Muyembe, virologista congolês que e ‌dirige o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica em Kinshasa e foi um dos descobridores do Ebola, ⁠disse à Reuters que todos os 16 surtos anteriores do Congo, com exceção de um, foram causados pela cepa do Zaire.

A identificação de uma variante diferente dificulta a resposta, disse ele, já que os tratamentos e as vacinas existentes foram desenvolvidos para a cepa do Zaire.

"Os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças estão preocupados com o risco de maior disseminação devido ao contexto urbano de Bunia e Rwampara", além ‌do "intenso movimento populacional" e da mobilidade relacionada à mineração nas áreas afetadas, próximas à Uganda e ao Sudão do ‌Sul, acrescentou a agência.

"Dada a grande ⁠movimentação populacional entre as ⁠áreas afetadas e os países vizinhos, a rápida coordenação regional é essencial", disse o diretor-geral do CDC África, Jean Kaseya, ⁠no comunicado.

O Ministério da Saúde de Uganda disse que um ‌homem congolês morreu em Kampala de ‌Ebola Bundibugyo. Uganda disse que o caso veio do Congo e que nenhum caso local foi confirmado.

PRIMEIRAS AMOSTRAS POSITIVAS 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tomou conhecimento dos casos suspeitos em 5 de maio e enviou uma equipe a Ituri para ajudar a investigar, mas amostras coletadas no local haviam inicialmente ⁠tido resultado negativo, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira.

Um laboratório em Kinshasa confirmou casos positivos na quinta-feira, e até o momento 13 de casos foram confirmados como positivos, de acordo com Tedros.

A OMS liberou US$500.000 de seu fundo de contingência para emergências para apoiar a resposta, incluindo vigilância, rastreamento de contatos, testes laboratoriais ‌e cuidados clínicos, disse ele.

ITURI ATINGIDA POR CONFRONTOS ENTRE MILÍCIAS

O novo surto ocorre em meio a uma crise de segurança cada vez mais profunda em Ituri, com a morte de diversos civis por confrontos entre ⁠grupos de milícias rivais nas últimas semanas.

A violência piorou uma situação humanitária já terrível, deixando instalações de saúde sobrecarregadas ou inoperantes em algumas áreas da província, havia dito o grupo Médicos Sem Fronteiras (MSF) no início do mês. A entidade médica de caridade alertou para as condições catastróficas de higiene nos locais de deslocamento, aumentando o risco para surtos de doenças.

O surto é o 17º no Congo desde que o Ebola foi identificado pela primeira vez, em 1976. O surto mais recente do país, na província de Kasai, foi declarado encerrado em 1º de dezembro, após três meses. De um total de 64 casos, 45 morreram e outros 19 se recuperaram.

O Ebola é uma doença grave e muitas vezes fatal, endêmica nas vastas florestas tropicais do Congo. O vírus se propaga por meio do contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, materiais contaminados ou pessoas que morreram da doença, informou o CDC da África.

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