Irã considera 'pouco provável' retomar a guerra com EUA enquanto Israel mantém ofensiva no sul do Líbano
A Guarda Revolucionária iraniana classificou nesta quarta-feira (27) como "pouco provável" a retomada da guerra com os Estados Unidos, em meio a negociações diplomáticas e apesar das tensões recentes. Segundo um responsável das forças navais, citado pela agência Tasnim, a avaliação se baseia na "fraqueza do inimigo", embora o país afirme que suas forças militares permanecem em alerta. Enquanto isso, Israel intensificou operações no sul do Líbano e anunciou ter matado o novo chefe da ala militar do Hamas.
A declaração da Guarda Revolucionária ocorre após um novo episódio de tensão entre os dois países. Na terça-feira (26), o Irã acusou os Estados Unidos de violar o frágil cessar-fogo em vigor desde abril, após ataques americanos durante a noite no sul do país.
Em resposta, o Comando Central dos EUA informou que realizou "ataques defensivos", mirando bases de lançamento de mísseis e embarcações iranianas supostamente envolvidas na instalação de minas.
Em meio a esse cenário, a China voltou a defender uma solução diplomática. Também nesta quarta-feira, o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, reforçou os apelos por paz no Oriente Médio, afirmando apoiar iniciativas de mediação conduzidas pelo Paquistão e por outros países para um acordo entre Washington e Teerã.
No Irã, a conexão à internet começou a ser parcialmente restabelecida após quase 90 dias de interrupção quase total.
Escalada no Líbano desafia cessar-fogo regional
Enquanto isso, Israel continua sua ofensiva no Líbano. Apesar do cessar-fogo oficialmente em vigor desde 17 de abril, Israel intensificou suas operações militares no sul do Líbano nas últimas 48 horas. Bombardeios israelenses mataram duas pessoas no vilarejo de Deir Aames, sul do país, nesta manhã. Na véspera, 31 pessoas morreram em ataques israelenses na região de Tyr, também no sul do Líbano.
Israel também anunciou a expansão de suas operações terrestres contra o Hezbollah pró-iraniano, ultrapassando a chamada "linha amarela", uma zona estabelecida a cerca de 10 quilômetros da fronteira. Tropas israelenses tentaram avançar em direção à localidade estratégica de Zaoutar el-Charqiyé, ao norte do rio Litani, fora dessa zona-tampão.
Segundo relatos, os soldados enfrentaram forte resistência de combatentes do Hezbollah. Os combates, que duraram horas, incluíram confrontos diretos, bombardeios de artilharia e ataques aéreos. Até o momento, as forças israelenses não conseguiram tomar a localidade, considerada chave para acesso à cidade de Nabatiyé, um dos principais redutos do grupo.
A aviação israelense também concentrou ataques em áreas próximas ao lago Qaraoun e em uma estrada estratégica para o abastecimento das posições do Hezbollah entre o vale da Bekaa e o sul do Líbano.
Gaza: morte do novo chefe do Hamas
Em outro ponto do conflito, Israel anunciou nesta quarta-feira (27) ter matado Mohammed Odeh, apontado como o novo chefe da ala militar do movimento islâmico palestino Hamas, em um ataque realizado na véspera na Faixa de Gaza.
Segundo o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, o alvo era o líder das Brigadas Ezzedine al-Qassam. A operação ocorreu apesar do cessar-fogo que, oficialmente, deveria estar em vigor desde outubro. Até o momento, o Hamas não comentou a morte.
RFI com AFP
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.