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Impacto da guerra do Irã amplia vulnerabilidades financeiras da Europa, alerta BCE

27 mai 2026 - 06h33
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A guerra no Irã e as tensões ‌comerciais persistentes podem prejudicar o crescimento econômico da zona do euro, aumentar os custos dos empréstimos e desafiar a capacidade de alguns estados-membros de sustentar os orçamentos públicos, concluiu um relatório do Banco Central Europeu nesta quarta-feira.

Os mercados financeiros, em geral, não deram muita importância à guerra no Irã, mantendo ⁠as ações com avaliações elevadas, os custos de financiamento das empresas baixos e ‌o spread entre as taxas de rendimento dos títulos soberanos do bloco de 21 países em níveis baixos, o que suscita receios de que os ‌investidores possam estar subestimando os riscos.

"Um cenário ‌de crescimento significativamente mais fraco, associado a um impacto energético mais ⁠persistente, poderia desencadear uma reavaliação da sustentabilidade fiscal e uma reavaliação abrupta nos mercados de títulos soberanos", afirmou o BCE em seu relatório de estabilidade financeira semestral. 

Essa reavaliação poderia, então, elevar os custos de financiamento das empresas, desencadeando um ciclo vicioso que poderia comprometer a estabilidade financeira e afetar a economia ‌real.

Esse risco é especialmente grave porque os governos já estão financiando uma longa ‌lista de projetos urgentes, limitando ⁠seus amortecedores fiscais ⁠e sua margem de manobra.

"As altas necessidades de financiamento soberano relacionadas, entre outras coisas, ⁠aos gastos com defesa, à transição verde ‌e às possíveis medidas ‌fiscais para proteger as famílias e as empresas do aumento dos preços da energia, provavelmente aumentarão as pressões no médio prazo", acrescentou o BCE.

Para agravar essa questão, há o aumento da exposição dos fundos de hedge ⁠nos mercados de títulos públicos. Embora sua presença aumente a liquidez em tempos normais, os fundos de hedge geralmente são altamente alavancados, o que torna os movimentos de preços mais sensíveis a mudanças de humor do mercado, disse o banco central.

Qualquer onda de ‌vendas nos mercados de dívida também pode ser agravada por intermediários financeiros não bancários relativamente opacos, que tendem a ter menor liquidez, apresentar maior alavancagem ⁠e estar sujeitos a uma regulamentação mais flexível.

Esses intermediários mantêm laços generalizados com credores mais tradicionais e poderiam contaminar um setor bancário que, de outra forma, estaria saudável, argumentou o BCE.

"O potencial para que esses riscos altamente interconectados se materializem simultaneamente, possivelmente amplificando ainda mais uns aos outros, aumenta os riscos para a estabilidade financeira", disse o banco central.

Apontando para outra interconexão desse tipo, o BCE também alertou que as preocupações com a sustentabilidade da dívida nos EUA poderiam afetar a Europa.

Os títulos do Treasury dos EUA têm sido um porto seguro, mas as preocupações com a credibilidade das políticas orçamentárias dos EUA podem levar a uma mudança abrupta nas percepções, o que teria um impacto global.

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