Irã ameaça 45 petroleiros com multas e confisco em meio a escalada no Estreito de Ormuz
O Irã incluiu 45 petroleiros em uma lista negra por violarem regras no Estreito de Ormuz, ameaçando-os com multas e confisco de cargas. A medida atinge navios de empresas árabes e sul-coreanas, além de embarcações que transbordem cargas com eles. A ação intensifica a crise com os EUA, que usam sua Marinha para escoltar o fluxo de combustíveis na rota estratégica, historicamente responsável por 20% do tráfego global de petróleo e gás.
O Irã afirmou ter colocado na lista negra 45 petroleiros que violaram suas regras para a travessia do Estreito de Ormuz e que tomaria medidas contra quaisquer embarcações que transferissem cargas com eles, intensificando suas ameaças em relação à importante via navegável seis meses após o início da guerra.
As embarcações citadas podem ser multadas, detidas e ter suas cargas confiscadas, de acordo com uma publicação no X no final do domingo pela Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, um novo órgão criado pelo Irã para administrar o estreito.
A advertência foi emitida poucos dias depois de os EUA terem ameaçado o Irã com "as sanções mais duras da história" e de o Irã ter afirmado que sua resposta a quaisquer novas ameaças dos EUA seria "devastadora".
A lista de restrições inclui superpetroleiros, navios-tanque de gás natural liquefeito e gás de petróleo liquefeito, além de navios de produtos refinados, entre outros.
Alguns dos navios citados pertencem à ADNOC Logistics and Shipping (ADNOC L&S) dos Emirados Árabes Unidos, à Navig8 Tankers, subsidiária da ADNOC, e à Bahri, empresa nacional de navegação da Arábia Saudita.
Quaisquer embarcações envolvidas em transferências de navio para navio com as embarcações citadas poderiam ser adicionadas à lista negra, acrescentou a publicação iraniana no X.
A publicação não especificou o que entendia por "regras do Irã", mas Teerã já havia afirmado, no passado, que os armadores deveriam obter sua autorização para transitar pelo estreito e que os navios deveriam pagar por serviços de segurança e outros.
Os EUA também impuseram um bloqueio naval contra o transporte marítimo relacionado ao Irã.
O Golfo fornecia cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito diários do mundo antes que o conflito com o Irã interrompesse o tráfego de petroleiros.
Esforços coordenados pelos EUA para conduzir petroleiros discretamente pelo Estreito de Ormuz, a fim de abastecer superpetroleiros que aguardam logo fora dele, estão ajudando a restaurar parte desses volumes de exportação.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou na sexta-feira no X que "a média de sete dias do petróleo que sai do estreito é superior a 8 milhões de barris por dia. Não se enganem: graças à Marinha dos EUA, o petróleo está fluindo pelo Estreito de Ormuz".
Navios de propriedade da Klaveness Ship Management, da Stolt Tankers e da sul-coreana Sinokor também foram incluídos na lista negra.
As empresas de navegação não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.
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