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Ministro das Relações Exteriores da Síria prevê retomada das negociações de segurança com Israel, apesar da falta de confiança

23 ago 2026 - 15h26
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Resumo
A Síria prevê a retomada em breve das negociações de segurança com Israel, mediadas pelos EUA, visando interromper os ataques e retirar tropas israelenses de seu território. Apesar da desconfiança mútua e dos recentes bombardeios que paralisaram o diálogo, o chanceler Asaad al-Shaibani afirmou que o novo governo do presidente Ahmed al-Sharaa prioriza a diplomacia e a estabilidade regional para focar na reconstrução do país após a queda de Bashar al-Assad.

A Síria espera que as negociações com ‌Israel sejam retomadas em breve sobre um acordo de segurança que, segundo o país, levará à retirada de Israel do território sírio, afirmou um importante ministro sírio, instando Israel a aproveitar uma "oportunidade histórica", já que a porta para a diplomacia está aberta.

Em entrevista à Reuters em Damasco no ⁠sábado, dias após Israel ter bombardeado uma base aérea síria, o ministro das ‌Relações Exteriores, Asaad al-Shaibani, também enfatizou que a prioridade de Damasco é interromper os ataques israelenses, afirmando que são necessárias medidas para construir ‌confiança nesse sentido.

Há mais de um ano, Washington ‌vem buscando firmar um acordo de segurança entre Israel e o ⁠governo do presidente sírio Ahmed al-Sharaa, um novo aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio. Mas isso tem se mostrado difícil, já que Israel enviou tropas ao território sírio e atacou instalações do governo, alegando ameaças à sua segurança.

Shaibani disse que as negociações sobre o acordo de segurança estavam ‌congeladas desde o início da guerra com o Irã, mas esperava que fossem ‌retomadas. O contato entre ⁠a Síria e ⁠Israel foi interrompido após o ataque à base aérea, afirmou ele.

"Acreditamos que deveria haver ⁠contato, especialmente com uma parte que ‌ameaça constantemente a segurança da ‌Síria. Mas se esse contato não trouxer resultados, então não precisamos dele", disse Shaibani. "Não confiamos em Israel no momento."

O gabinete do primeiro-ministro israelense não respondeu a um pedido de comentário.

PRESSÃO DOS EUA

Sharaa afirmou que ⁠a Síria não representa ameaça a outros países, com Damasco focada na reconstrução após 14 anos de guerra.

Autoridades israelenses têm falado sobre uma série de perigos potenciais na Síria desde que Bashar al-Assad foi derrubado, com alguns descrevendo os novos governantes como ‌jihadistas mal disfarçados no ano passado, mesmo enquanto Sharaa estabelecia laços estreitos com os EUA.

Nos dias seguintes à queda de Assad, em 2024, Israel ⁠ocupou território no sudoeste da Síria, alegando a necessidade de proteger seus cidadãos contra ataques, e bombardeou dezenas de instalações militares sírias.

"Israel tentou manter sua segurança por meio da força bruta e não teve sucesso" em lugar algum, disse Shaibani. "Acredito que as negociações serão retomadas em breve."

Ainda não foi definida uma data.

"Os EUA estão tentando continuamente pressionar Israel para que retorne à mesa de diálogo", acrescentou ele.

Questionado sobre o quanto estava otimista, Shaibani disse: "É muito difícil apostar em Israel." Mas a Síria tinha "uma esperança muito grande" de construir relações estáveis com seus vizinhos.

"A Síria está estendendo a mão em busca de entendimentos, de paz, de diplomacia" e de estabilidade regional.

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