Índia e China reduzem emissões de geração de energia, mitigando maior uso do carvão nos EUA
A Índia e a China reduziram as emissões de dióxido de carbono provenientes da geração de energia elétrica ao acelerar a implantação de fontes de energia limpa, compensando o crescente uso de carvão nos EUA e limitando o crescimento global de poluentes ligados à mudança climática, disseram pesquisadores.
As emissões do setor de energia da China e da Índia, os maiores usuários de carvão do mundo, responsáveis por 93% do aumento das descargas de dióxido de carbono na década até 2024, diminuíram simultaneamente pela primeira vez em 52 anos, de acordo com um relatório do Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA) deste mês.
"A queda nas emissões na China e na Índia em 2025 é um sinal do que está por vir, já que ambos os países adicionaram uma quantidade recorde de nova geração de energia limpa no ano passado, o que foi mais do que suficiente para atender à crescente demanda", disse Lauri Myllyvirta, principal analista do CREA, um grupo de pesquisa independente registrado na Finlândia.
Na China, as emissões do setor de energia caíram 40 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO2e), ou 0,7% ao ano em 2025. Já na Índia, diminuíram 38 milhões de tCO2e, ou 4,1%, nos 11 meses até o final de novembro, de acordo com estimativas do think-tank de energia Ember, compiladas com base em estatísticas mensais do governo.
Isso compensou um aumento de 55,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO2e) nas emissões anuais dos EUA, depois que um aumento anual de 13,1% na produção de energia a carvão fez com que as emissões das usinas dos EUA crescessem 3,3% em 2025, o mais rápido neste século, segundo as estimativas, ajudando as emissões globais a permanecerem praticamente estáveis.
Os três países são responsáveis por 60% das emissões do setor de energia do mundo, que representam cerca de 35% de todas as descargas poluentes ligadas à mudança climática.
O uso de carvão na China deve diminuir gradualmente nesta década, afirmou a Agência Internacional de Energia (IEA) em seu relatório anual sobre carvão em dezembro, ajudando as emissões da geração de energia a se estabilizarem nos próximos anos.
Na Índia, entretanto, embora os acréscimos recordes de energias renováveis e o crescimento marginal da demanda de energia tenham ajudado Nova Délhi a suprimir o uso de carvão este ano, a IEA espera que o país continue dependendo do carvão.