Incêndios florestais devastadores na Grécia destacam temores com condições das linhas de transmissão de energia
Semanas antes de um incêndio florestal devastador ter se alastrado pela rede elétrica de um parque eólico privado no sul da Grécia, no final de julho, os moradores da região receberam um alerta severo sobre os riscos representados pela rede elétrica do país no auge do verão.
Um incêndio menor, perto da vila de Agios Vasileios em 27 de junho, provavelmente foi causado por um curto-circuito a 150 metros de distância na mesma rede, de acordo com um relatório investigativo confidencial elaborado pelo Corpo de Bombeiros e ao qual a Reuters teve acesso.
O incidente anterior, confirmado por três moradores e uma autoridade local, "constitui um indício grave da existência de problemas recorrentes na operação e/ou nas condições dessa rede específica", afirma o relatório.
Mais um verão devastador de incêndios florestais reacendeu o debate sobre a segurança das redes elétricas da Grécia, especialmente seus cabos, que enfrentam calor intenso e ventos de força de vendaval e, muitas vezes, atravessam áreas rurais de matagal ou floresta que não recebem chuva há meses.
O Corpo de Bombeiros atribuiu a dois dos maiores incêndios da Grécia neste ano a falha nas linhas de energia: o incêndio em Agios Vasileios, que acabou consumindo florestas, olivais e áreas residenciais próximas a Atenas e resultou na morte de dois tripulantes de um helicóptero de combate a incêndios em uma colisão no ar; e outro em Creta, que também matou dois bombeiros e forçou a retirada de turistas no auge da temporada de verão.
No ano passado, também se constatou que linhas de energia com defeito foram a principal causa dos grandes incêndios florestais, superando o incêndio criminoso e a negligência, segundo dados do Corpo de Bombeiros obtidos com exclusividade pela Reuters.
Na Grécia, detalhes sobre o que desencadeia os incêndios florestais geralmente não são divulgados, e o Corpo de Bombeiros não respondeu aos pedidos de comentários.
"Vivemos em cima de uma bomba", disse o advogado ambientalista Antonis Sifakis. "Os cabos aéreos precisam ser removidos."
A rede de distribuição de energia da Grécia sofreu com anos de subinvestimento durante a crise da dívida de 2009 a 2018. A cada ano, à medida que a Grécia enfrenta os efeitos de verões mais quentes e chuvas mais irregulares — que os cientistas associam às mudanças climáticas —, a distribuidora pública de energia HEDNO passa a ser alvo de escrutínio.
Dados da unidade de Crimes de Incêndio Criminoso da Grécia mostram que falhas suspeitas na rede elétrica foram responsáveis por cerca de 75% da área queimada na Grécia este ano.
A HEDNO contesta esse número e afirma que, historicamente, "bem menos de 1%" dos incêndios envolvem a rede de distribuição.
A HEDNO aumentou os investimentos anuais de cerca de 150 milhões de euros (US$173 milhões) em 2019 para cerca de 800 milhões de euros atualmente, informou um porta-voz à Reuters. Atualmente, a empresa instala cerca de 1.800km de rede subterrânea por ano, quase oito vezes a taxa de 2019.
Ainda assim, a tarefa à frente é gigantesca — a rede de distribuição da HEDNO tem 250.000km de extensão.
"A transformação... não pode ser concluída da noite para o dia", disse o porta-voz. No entanto, "a rede de distribuição de eletricidade da Grécia é uma infraestrutura fundamentalmente diferente em comparação com a de seis anos atrás".
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