Hezbollah reitera recusa para entrega de armas e pede ao Líbano para abandonar plano de desarmamento
O líder do Hezbollah, Naim Qassem, reafirmou nesta segunda-feira (25) a recusa de seu grupo em entregar as armas. O comunicado foi feito na véspera da visita de dois enviados americanos a Beirute e logo após o governo libanês anunciar um plano para desarmar o movimento.
O líder do Hezbollah, Naim Qassem, reafirmou nesta segunda-feira (25) a recusa de seu grupo em entregar as armas. O comunicado foi feito na véspera da visita de dois enviados americanos a Beirute e logo após o governo libanês anunciar um plano para desarmar o movimento.
"Não entregaremos as armas que nos protegem do inimigo. Não entregaremos as armas que nos orgulharam", declarou Naim Qassem em um discurso televisionado.
O líder do movimento continuou afirmando que "essas armas são nossa alma, nossa honra, nossa terra, nossa dignidade e o futuro de nossos filhos".
"Tirá-las de nós é como se estivessem tentando tirar nossas almas"
No início de agosto, o governo libanês encarregou o Exército de preparar um plano para desarmar o grupo xiita muçulmano apoiado e financiado pelo Irã, inimigo de Israel.
A atitude do Líbano faz parte do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, que em 27 de novembro pôs fim a mais de um ano de conflito entre o Hezbollah e Israel.
No último dia 21, o governo do Líbano iniciou o desarmamento em campos de refugiados palestinos localizados em seu território. A operação envolveu o Fatah, um dos principais grupos políticos e militares do país.
Na época, o desarmamento foi anunciado pelo governo libanês e teria sido iniciado pelo campo de Bourj el-Brajne.
O Hezbollah pediu ao governo libanês que não prosseguisse com o plano de desarmamento e acusa Washington de querer "destruir o Líbano e incitar a discórdia".
Reunião com norte-americanos
O enviado dos Estados Unidos, Tom Barrack, e o enviado adjunto do governo americano para o Oriente Médio, Morgan Ortagus, devem se reunir com autoridades libanesas na terça-feira (26).
Beirute aguarda uma resposta israelense à proposta dos EUA, que estabelece o cronograma e os termos para o desarmamento do Hezbollah, incluindo a retirada israelense de determinadas posições.
O Hezbollah condiciona qualquer discussão sobre suas armas à retirada israelense das cinco posições ocupadas durante a guerra, à suspensão dos ataques contra o Líbano, à libertação de prisioneiros e ao início da reconstrução.
Naim Qassem também criticou as recentes declarações de Tom Barrack em favor de uma "abordagem em fases". Ele pediu a Israel que cumpra seus compromissos após um "primeiro passo do governo libanês".
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, expressou sua disposição de reduzir gradualmente as tropas israelenses no Líbano, caso o governo libanês consiga implementar integralmente o desarmamento do Hezbollah.
Apesar do acordo de cessar-fogo, o exército israelense mantém suas tropas em cinco posições de fronteira consideradas estratégicas. A força de Israel também realiza ataques regulares contra depósitos de armas e autoridades do Hezbollah.
O Hezbollah é a única facção autorizada a manter suas armas após a guerra civil libanesa (1975-1990).
(Com AFP)