Hamas analisa proposta de cessar-fogo em Gaza; diretor de hospital é morto no norte do enclave
O grupo islamista Hamas disse, nesta quarta-feira (2), que estava analisando propostas para um cessar-fogo em Gaza encaminhadas por mediadores, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que Israel apoiava uma trégua de 60 dias no território palestino. Um ataque no norte da Faixa de Gaza matou o diretor do Hospital Indonésio, uma instituição privada.
O grupo islamista Hamas disse, nesta quarta-feira (2), que estava analisando propostas para um cessar-fogo em Gaza encaminhadas por mediadores, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que Israel apoiava uma trégua de 60 dias no território palestino. Um ataque no norte da Faixa de Gaza matou o diretor do Hospital Indonésio, uma instituição privada.
Os quase 21 meses de guerra criaram uma situação humanitária terrível para mais de dois milhões de pessoas em Gaza, onde Israel recentemente expandiu suas operações militares. A Defesa Civil do território disse que os bombardeios israelenses mataram 33 pessoas somente nesta quarta-feira.
O porta-voz da agência, Mahmud Basal, disse que sete pessoas morreram em um ataque a um apartamento na Cidade de Gaza, incluindo o diretor do hospital indonésio - uma unidade privada no norte de Gaza - Marwan al-Sultan.
Na terça-feira, Trump pediu ao Hamas que aceitasse um cessar-fogo de 60 dias, após assegurar que Israel havia concordado em finalizar o acordo.
"Israel aceitou as condições necessárias para cumprir o cessar-fogo de 60 dias, durante o qual trabalharemos com todas as partes para encerrar a guerra", escreveu o presidente americano em sua plataforma Truth Social. "Espero, pelo bem do Oriente Médio, que o Hamas aceite este acordo, porque (caso contrário, a situação) não melhorará, só piorará", acrescentou.
O movimento islamista disse nesta quarta-feira que estava "realizando consultas nacionais para discutir as propostas que nos foram transmitidas pelos irmãos mediadores". O objetivo é "alcançar um acordo que garanta o fim da violência, a retirada (de Israel de Gaza) e a ajuda urgente ao nosso povo na Faixa de Gaza", acrescentou.
Sem mencionar Trump diretamente, o ministro israelense de Relações Exteriores, Gideon Saar, pediu que se aproveitasse a oportunidade para libertar os reféns em Gaza.
De acordo com a imprensa israelense, os dois principais ministros de extrema direita do gabinete de Benjamin Netanyahu - Bezalel Smotrich (Economia) e Itamar Ben Gvir (Segurança Nacional) - expressaram sua oposição a uma trégua com o Hamas na terça-feira. Sem o apoio dos dois ministros, Netanyahu perderia a maioria legislativa que sustenta seu governo.
Morte de diretor de hospital
Autoridades palestinas e testemunhas declararam nesta quarta-feira (2) que um bombardeio israelense matou o diretor do Hospital Indonésio, um estabelecimento de saúde privado localizado no norte da Faixa de Gaza.
Marouane al-Sultan foi encontrado morto em seu apartamento na cidade de Gaza após um ataque aéreo israelense, ao lado de sua esposa, de suas filhas e de um de seus genros, afirmou à AFP um membro da família, Ahmed al-Sultan.
Seu corpo foi levado ao hospital al-Chifa, informou à AFP o diretor da instituição, Mohammed Abou Salmiya. "Seu rosto estava irreconhecível, mal conseguimos identificá-lo", acrescentou.
"O assassinato do Dr. Marouane al-Sultan e de sua família é uma violação flagrante dos princípios humanitários e um ato de grave injustiça que deve ser punido", denunciou em comunicado a ONG indonésia Medical Emergency Rescue Committee, que fundou o Hospital Indonésio em 2016.
O movimento islamista palestino Hamas condenou um "crime horrível", em um comunicado publicado logo após o anúncio da Defesa Civil de Gaza, que relatou um primeiro balanço de sete mortos, incluindo o médico, em um ataque aéreo israelense ocorrido no início da tarde.
"A alegação de que civis não envolvidos foram atingidos durante o bombardeio está sendo analisada", declarou o exército israelense, ao ser questionado pela AFP sobre os fatos relatados pela Defesa Civil.
O exército afirmou ter "atingido um importante terrorista" do Hamas "na área da cidade de Gaza" nesta quarta-feira, sem fornecer mais detalhes.
O Hospital Indonésio já havia sido alvo de uma operação militar israelense em meados de maio. Na ocasião, o Ministério da Saúde do governo do Hamas em Gaza denunciou a destruição deliberada dos geradores elétricos da instituição.