Guerra no Oriente Médio mergulha Irã em incerteza; UE vê risco de fluxo 'sem precedentes' de refugiados
Entre os bombardeios dos Estados Unidos e Israel e a repressão interna de Teerã, a população iraniana se tornou refém da guerra no Oriente Médio. A euforia provocada pela morte do guia supremo Ali Khamenei, no sábado (28), deu lugar ao desespero, à medida que os ataques se intensificam e a resposta do regime fica mais dura. Além de afetar a segurança regional, o conflito deve também resultar em um novo êxodo populacional.
Moradores de Teerã relatam momentos de caos em meio a uma cidade que virou palco de cenas apocalípticas: "prédios destruídos, veículos carbonizados, ruas inteiras devastadas", descreve o jornal Le Figaro. Segundo a ONG de defesa dos direitos humanos Hengaw, desde sábado, cerca de 1.500 iranianos morreram nos ataques e 153 cidades iranianas foram bombardeadas pelos Estados Unidos e Israel, conforme dados da ONG Crescente Vermelho.
Sob bombas, sem sirenes de alerta ou abrigos para se refugiar, a população iraniana improvisa. Quem não conseguiu deixar a capital - epicentro dos bombardeios - se protege dentro de suas casas, blindando janelas e cômodos com colchões e fitas adesivas.
"Antes eu sonhava com o fim do regime. Agora sonho com o fim da guerra", disse uma moradora de Teerã ao Le Figaro, sob anonimato.
O resultado é uma população confinada e sem acesso à internet. Universidades, escolas e lojas seguem fechadas, enquanto o regime iraniano resiste e não demonstra qualquer intenção de poupar os civis em sua campanha de vingança.
Aflição no Líbano
O jornal Libération aborda a agonia do povo libanês, no fogo cruzado entre o grupo armado Hezbollah e Israel. Milhares de pessoas foram obrigadas a deixar o sul do Líbano após o anúncio das forças israelenses da criação de uma zona tampão na região.
O diário relata engarrafamentos imensos, famílias inteiras dormindo na beira das estradas e o sentimento de abandono e incompreensão de uma população refém de um conflito que lhes foi imposto. "É injusto que o Hezbollah nos mergulhe novamente em sua guerra! O que eu tenho a ver com o Irã?", questiona a libanesa Ramya, em entrevista ao diário de esquerda.
Êxodo populacional
Além de abalar a segurança no Oriente Médio e sacudir a economia mundial, o conflito deve também resultar em um novo êxodo, de magnitude sem precedentes.
A Agência Europeia para o Asilo alerta que um deslocamento equivalente a 10% da população do Irã, que conta com cerca de 90 milhões de habitantes, resultaria no "maior fluxo de refugiados das últimas décadas".