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Rússia não escolherá quem falará pela Europa nas possíveis negociações sobre Ucrânia, dizem ministros da UE

28 mai 2026 - 14h11
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A Rússia não escolherá quem ‌representará a Europa em quaisquer possíveis negociações com Moscou sobre a Ucrânia, disseram os ministros das Relações Exteriores da União Europeia nesta quinta-feira, enquanto a chefe da política externa do bloco advertia que o governo russo não demonstrava interesse real na paz.

Os ministros se reuniram informalmente em Chipre para discutir a estratégia em relação à Rússia, conforme Kiev pressiona por um maior envolvimento europeu para ajudar a acabar ⁠com a guerra, enquanto os EUA se concentram no conflito contra o Irã.

O presidente russo, Vladimir Putin, ‌está aberto a negociações com a Europa, informou na quarta-feira a agência de notícias RIA, citando o Kremlin, enquanto o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, nas últimas semanas, pediu que a Europa se tornasse parte ‌do processo.

Falando aos repórteres, a chefe de política externa da UE, Kaja ‌Kallas, disse que os ministros concordaram que a Rússia ainda não demonstra interesse genuíno na ⁠paz e que um cessar-fogo incondicional é um pré-requisito para as negociações.

"A Europa nunca será uma mediadora neutra entre a Rússia e a Ucrânia porque estamos do lado da Ucrânia e defendemos nossos próprios interesses fundamentais de segurança", disse Kallas após a reunião, acrescentando que a Europa deve ajudar nas negociações.

No início deste mês, Putin sugeriu que o ex-chanceler alemão Gerhard Schroeder, que descreveu o líder russo como ‌um amigo pessoal, poderia representar a Europa.

Os governos europeus rejeitaram essa proposta, e Kallas reafirmou isso nesta ‌quinta-feira.

"Acho que é uma armadilha que ⁠a Rússia quer que ⁠caiamos, que discutamos quem fala com eles, e eles já estão escolhendo quem é adequado ou não", disse Kallas ⁠antes da reunião.

"Negociação é sempre um esforço de equipe."

DEFINIÇÃO DE UMA ‌ABORDAGEM COMUM PARA A RÚSSIA

Kallas também disse ‌que sua visão é que os pedidos da Europa e as linhas vermelhas para as negociações incluam a exigência de que a Rússia pare com as operações de sabotagem na Europa, pague pela destruição que causou e que quaisquer limitações sobre as Forças Armadas ucranianas devem ⁠significar limitações sobre as Forças Armadas russas também.

"Está claro que todos os nossos esforços devem ser complementares aos esforços dos EUA", disse Kallas.

"Acho que é muito importante pressionar a Ucrânia e a Rússia a conversarem entre si, porque há muitas questões que só eles podem decidir, e mais ninguém."

Apesar de uma enxurrada de especulações, alguns ministros disseram que era ‌prematuro discutir quem poderia representar a Europa em possíveis negociações futuras.

"Este não é o momento de discutirmos quem fará as negociações", disse o ministro das Relações Exteriores da Lituânia, Kestutis Budrys, a ⁠repórteres no Chipre.

"A Europa decidirá o nome do negociador, não o sr. Putin", disse o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, ao chegar à reunião.

LEVANDO A MENSAGEM EUROPEIA

Nenhuma decisão foi tomada na reunião desta quinta-feira.

Uma autoridade sênior de um país-membro da UE disse que muitas perguntas permaneciam sem resposta sobre um possível papel europeu nas negociações.

"Há uma série de questões que precisariam ser abordadas antes mesmo de se chegar a um nome. Qual seria o mandato? A quem eles prestariam contas? Qual é o processo de tomada de decisão?", disse a autoridade.

Alguns ministros demonstraram abertura para que a Europa designe um enviado no futuro.

"Estou confiante de que, juntos, podemos não apenas chegar a um acordo sobre um mandato, mas talvez também sobre algumas pessoas que poderiam assumir essa função", disse a ministra das Relações Exteriores da Finlândia, Elina Valtonen, aos repórteres.

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