Grande maioria dos ucranianos rejeita concessões significativas para paz com Rússia, diz pesquisa
Três quartos dos ucranianos rejeitam concessões significativas em qualquer acordo de paz, afirmou um instituto de pesquisa de Kiev nesta segunda-feira, destacando o desafio que o presidente Volodymyr Zelenskiy enfrenta ao negociar, sob pressão da Casa Branca, o fim da guerra com a Rússia.
A Ucrânia tem procurado resistir a um plano original apoiado pelos EUA, que o país e seus aliados europeus consideram favorável a Moscou. O plano exige que Kiev abra mão de toda a sua região oriental de Donbas e restrinja significativamente suas capacidades militares.
A pesquisa, realizada pelo Instituto Internacional de Sociologia de Kiev (Kiis, na sigla em inglês), revelou que 72% dos ucranianos estavam dispostos a aceitar um acordo que congele a atual linha de frente e inclua algumas concessões.
No entanto, 75% acreditam que um plano favorável à Rússia que inclua a Ucrânia cedendo território ou limitando o tamanho de seu exército, sem receber garantias de segurança claras, é "completamente inaceitável".
A pesquisa foi realizada entre o final de novembro e meados de dezembro e incluiu 547 entrevistados em território controlado pela Ucrânia.
CETICISMO COM OS EUA
O presidente-executivo do Kiis, Anton Hrushetskyi, disse que a opinião pública sobre o assunto permaneceu estável nos últimos meses, em meio à crescente pressão dos EUA.
Sessenta e três por cento dos ucranianos estavam dispostos a continuar lutando, enquanto apenas 9% acreditavam que a guerra terminaria no início de 2026.
O presidente dos EUA, Donald Trump, pressionou a Ucrânia para que o país garantisse rapidamente a paz na guerra, que já dura quase quatro anos, enquanto o exército russo, maior e mais bem armado, avança no campo de batalha.
Kiev e seus aliados europeus buscam garantias de segurança de Washington como parte de qualquer acordo, e Zelenskiy afirmou no domingo que em troca a Ucrânia abriria mão de suas ambições de ingressar na Otan.
No entanto, apenas 21% dos ucranianos confiam em Washington -- uma queda em relação aos 41% registrados em dezembro passado. A confiança na Otan também caiu de 43% para 34% no mesmo período.
"Se as garantias de segurança não forem inequívocas e vinculativas... os ucranianos não confiarão nelas, e isso afetará a disposição geral de aprovar o plano de paz correspondente", escreveu Hrushetskyi.
SEM APETITE PARA ELEIÇÕES
Trump também renovou seu apelo por eleições na Ucrânia, o que é proibido pela lei marcial.
Zelenskiy, cujo primeiro mandato expirou no ano passado, sinalizou este mês que estaria aberto a uma nova votação se os EUA pudessem assumir a liderança na garantia da segurança.
No entanto, apenas 9% dos ucranianos queriam eleições antes do fim dos combates, segundo a pesquisa do Kiis.
A confiança em Zelenskiy caiu após um grande escândalo de corrupção no mês passado, mas agora está de volta a 61% depois da demissão de seu principal assessor e de nova pressão dos EUA, disse Hrushetskyi.
"Portanto, a insistência em realizar eleições na Ucrânia é vista com maus olhos pelo público e considerada uma tentativa de enfraquecer o país", afirmou.