Governo Trump revoga sanções contra italiana relatora da ONU sobre Palestina
Francesca Albanese havia sido punida após denunciar genocídio de Israel em Gaza
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos suspendeu as sanções impostas pelo governo de Donald Trump contra a italiana Francesca Albanese, relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para os territórios palestinos ocupados.
A remoção da lista de sanções foi oficializada na última quarta-feira (20), por meio de aviso publicado pelo governo americano, após decisão judicial considerar a medida potencialmente inconstitucional.
As restrições contra a italiana haviam sido impostas em julho de 2025 e incluíam bloqueios financeiros que dificultavam o uso de cartões de crédito e a realização de transações bancárias em nível global.
Na semana passada, o juiz federal Richard Leon concedeu uma liminar suspendendo temporariamente as sanções. Segundo o magistrado, a medida do governo provavelmente violou direitos garantidos pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA, ao atingir diretamente declarações críticas feitas por Albanese sobre Israel.
"A proteção da liberdade de expressão é sempre de interesse público", escreveu Leon na decisão.
Albanese ocupa o cargo de relatora especial da ONU desde 2022 e tem concentrado sua atuação na ofensiva militar de Israel contra o Hamas na Faixa de Gaza.
A diplomata acusou Israel de "genocídio" e de cometer violações de direitos humanos, além de defender investigações no Tribunal Penal Internacional contra autoridades israelenses, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Ao anunciar as sanções em 2025, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, acusou Albanese de "antissemitismo flagrante", "apoio ao terrorismo" e "desprezo aberto pelos Estados Unidos, Israel e o Ocidente".
A relatora rejeitou as acusações, negando qualquer apoio a grupos terroristas e afirmando que críticas ao governo israelense não devem ser confundidas com antissemitismo.
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