EUA anunciam chegada de porta-aviões e grupo de ataque ao Caribe
Operação ocorreu após acusações de Trump contra cubano Raúl Castro
O Comando Sul dos Estados Unidos (Southcom), responsável por operações militares na América Latina, anunciou a chegada ao Caribe do porta-aviões nuclear Nimitz e de seu grupo de ataque. A operação foi confirmada após Washington intensificar sua pressão contra Cuba, ao acusar o ex-presidente Raúl Castro pela queda de um avião há 30 anos.
"Bem-vindos ao Caribe, Grupo de Ataque Nimitz", publicou o Southcom no X na quarta-feira (20).
Segundo o Comando Sul, a força tática naval representa "o ápice da prontidão e presença operacional, alcance e letalidade incomparáveis e vantagem estratégica".
A publicação também destaca que o USS Nimitz demonstrou sua capacidade de combate "do Estreito de Taiwan ao Golfo Pérsico, garantindo a estabilidade e defendendo a democracia em escala global".
O anúncio coincide com a intensificação da campanha de pressão do governo Donald Trump contra Cuba, que ontem acusou o ex-presidente de Havana Raúl Castro pelo abate de duas aeronaves que transportava civis perto da costa cubana em 1996.
Após as ameaças de Washington contra Castro, hoje com 94 anos de idade, organizações estudantis e juvenis da ilha caribenha convocaram uma manifestação para sexta-feira (22) na Tribuna José Martí, em Havana. A ideia é reafirmar apoio à liderança histórica da Revolução no país.
A declaração oficial estudantil afirma que "nem ameaças, nem bloqueios, nem cortes no fornecimento de energia, nem falsas acusações serão capazes de quebrar a vontade do povo cubano".
Já o governo afirmou que as acusações de Trump "têm finalidade política e servem para justificar novas pressões" contra a ilha.
Em entrevista ao New York Times, o embaixador de Cuba nas Nações Unidas, Soberón Guzmán, reforçou que Havana está pronta para negociar com os EUA, ainda que não acredite em "negociações de boa fé" por parte de Washington.
"Estamos dispostos a discutir tudo com os americanos. Não há temas tabus em nossas conversas, com base na reciprocidade e na igualdade", falou Guzmán, enfatizando também que "não ajuda o diálogo e a confiança ter declarações como 'estamos prontos para assumir o controle de Cuba' a cada dois dias".
"A retórica de guerra não ajuda, assim como criar pretextos para uma agressão militar contra Havana também não", observou o diplomata cubano enquanto cresce a tensão entre os dois países.
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