Governo libanês começa desarmamento em campos de refugiados palestinos
O Líbano anunciou nesta quinta-feira (21) o início do desarmamento dos campos de refugiados palestinos localizados em seu território. A operação envolve o Fatah, um dos principais grupos políticos e militares do país. Já as negociações com o Hezbollah seguem bloqueadas.
O Líbano anunciou nesta quinta-feira (21) o início do desarmamento dos campos de refugiados palestinos localizados em seu território. A operação envolve o Fatah, um dos principais grupos políticos e militares do país. Já as negociações com o Hezbollah seguem bloqueadas.
O gabinete do primeiro-ministro libanês informou que o desarmamento começou no campo de Bourj el-Brajne, ao sul de Beirute. A expectativa é de que a medida marque o início de um esforço ainda mais amplo de desarmamento, com entregas de armas esperadas nas próximas semanas em outros campos de todo o país.
Um funcionário do Fatah disse à agência Reuters que as únicas armas entregues até o momento foram as ilegais que entraram no campo nas últimas 24 horas.
Algumas imagens de emissoras de televisão foram exibidas, mostrando veículos do Exército entrando no campo antes da entrega de armas. As agências de notícias que trabalham no local não conseguiram verificar as informações de forma independente quais armas foram entregues.
A operação iniciada nesta quinta faz parte de um esforço do Líbano para centralizar o controle de armas no Estado, especialmente em meio à pressão internacional para desarmar o Hezbollah, grupo xiita muçulmano apoiado pelo Irã.
Hezbollah não recua
A negociação, no entanto, enfrenta dificuldades. Na semana passada, o líder do Hezbollah, Naim Qasem, voltou a acusar o governo do Líbano de "entregar o país a Israel". Para o grupo, a pressão pelo desarmamento desencadeou declarações inaceitáveis do primeiro-ministro libanês.
Única facção libanesa autorizada a manter suas armas após a guerra civil libanesa (1975-1990), o Hezbollah rejeitou imediatamente a proposta do governo para o desarmamento.
"Este governo está cumprindo a ordem americana-israelense de acabar com a resistência, mesmo que isso leve a uma guerra civil e a conflitos internos", acusou Qasem.
Qasem afirmou que a "missão do governo é garantir a estabilidade e reconstruir o Líbano, não entregar o país a um tirano israelense insaciável nem a um tirano americano ganancioso".
No início deste mês, o governo encarregou o Exército de desenvolver um plano até o final do ano para o desarmamento do Hezbollah. O movimento xiita se opõe a seguir qualquer determinação para a entrega das armas.
A iniciativa desta quinta-feira faz parte de um acordo firmado na cúpula de 21 de maio entre o presidente libanês, Joseph Aoun, e o líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que afirmou a soberania do Líbano e o princípio de que somente o Estado deve ter o monopólio das armas.
Estados Unidos celebram desarmamento
O enviado especial do governo dos Estados Unidos, Tom Barrack, celebrou as medidas adotadas pelo Líbano.
Na rede social X, ele parabenizou o governo libanês e o movimento palestino Fatah pelo "acordo sobre o desarmamento voluntário nos campos de Beirute". Na mensagem, Barrack escreveu que é "um passo histórico em direção à unidade e à estabilidade".
Facções palestinas operam há muito tempo em alguns dos 12 campos de refugiados do Líbano, que em grande parte estão fora da jurisdição do Estado libanês.
(Com AFP)