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Governo afegão diz que ataque aéreo paquistanês matou mais de 400 em hospital de Cabul; Paquistão nega

17 mar 2026 - 08h23
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Mais de 400 pessoas foram mortas e 250 ‌ficaram feridas em um ataque aéreo do Paquistão a um hospital de reabilitação de drogas em Cabul, disse um porta-voz do governo afegão do Taliban na terça-feira, em uma escalada acentuada no conflito entre os vizinhos.

O Paquistão rejeitou a alegação como falsa e enganosa e disse que "visou precisamente instalações militares ⁠e infraestrutura de apoio ao terrorismo" na noite de segunda-feira.

"As detonações secundárias ‌visíveis após os ataques indicam claramente a presença de grandes depósitos de munição", disse o ministro da Informação paquistanês, Attaullah Tarar, em um post ‌no X.

O ataque aéreo ocorreu horas depois que ‌a China disse que continuava disposta a seguir os esforços para ⁠aliviar as tensões entre as nações islâmicas do sul da Ásia e pediu que ambas evitassem expandir a guerra e voltassem à mesa de negociações.

O conflito que começou no mês passado é o pior já ocorrido entre os vizinhos que compartilham uma fronteira de 2.600 km. O conflito havia diminuído ‌em meio a tentativas de países amigos, incluindo a China, de mediar e ‌acabar com os combates, ⁠antes de recrudescer ⁠novamente, desta vez poucos dias antes do festival Eid al-Fitr, que marca o fim do ⁠mês sagrado do Ramadã.

A escalada ocorre ‌em meio a uma instabilidade ‌mais ampla na vizinhança, onde os ataques dos EUA e de Israel ao Irã e a retaliação de Teerã mergulharam o Oriente Médio em uma crise.

JUÍZO FINAL

No local, uma estrutura de um andar enegrecida ⁠exibia as marcas das chamas. Em outros lugares, os edifícios foram reduzidos a montes de madeira e metal, com apenas alguns beliches ainda intactos em alguns deles, enquanto cobertores, pertences pessoais e roupas de cama estavam espalhados.

O porta-voz do Ministério do Interior, Abdul ‌Mateen Qanie, disse que 408 pessoas foram mortas e 265 ficaram feridas. As autoridades afegãs disseram que os mortos e os feridos foram levados ⁠para hospitais nos arredores de Cabul, mas não forneceram detalhes sobre quantos corpos foram recuperados e como as vítimas foram contadas.

Segundo moradores, hospital funcionava em um local onde antes havia uma base militar.

Testemunhas disseram que ouviram a explosão de três bombas no momento em que as pessoas no hospital estavam terminando as orações da noite e que duas delas atingiram quartos e áreas de pacientes.

"O lugar inteiro pegou fogo. Foi como o dia do juízo final", declarou Ahmad, 50 anos, afirmando estar em tratamento na instituição e deu apenas seu primeiro nome. "Meus amigos estavam se queimando no fogo e não conseguimos salvar todos eles."

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