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Franceses têm dificuldade para acessar mercado de luxo brasileiro

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Por Pascale Denis

PARIS, 1 Out (Reuters) - Apesar do crescimento econômico recente, o mercado brasileiro permanece como uma terra de conquista difícil para os empresários franceses do setor do luxo.

Cerca de 40 marcas francesas voltam seus olhos para o Brasil, para o seu crescimento, a progressão de sua riqueza e o gosto de seus consumidores.

A renda média disponível por residência era de 25 mil dólares por ano em 2010, contra 17 mil dólares na Rússia, 9 mil dólares na China e 6 mil na Índia, segundo a Bain & Co.

Considerado o mais promissor dos "Brics" depois da China, o mercado brasileiro do luxo é estimado pela empresa de consultoria em 2,3 bilhões de euros e registra uma taxa de crescimento anual de aproximadamente 20 por cento há três anos. Ele já é o dobro do mercado indiano, conhecido por suas barreiras regulamentares e infraestrutura precária.

As grandes grifes estão presentes no país, de Louis Vuitton (grupo LVMH), desde o fim dos anos 1980, a Chanel, passando pela Hermès, que abriu sua primeira loja em 2009, assim como casas claramente mais modestas como a Louboutin, de sapatos, ou a especialista em roupas infantis Bonpoint.

"O Brasil apresenta um potencial muito grande e as marcas francesas fazem bastante esforço para buscar atingir esse crescimento", ressaltou a delegada geral do Comité Colbert, Elisabeth Ponsolle des Portes, associação do setor que agrupa 75 casas de luxo francesas.

E, no entanto, o peso do Brasil dentro do número de negócios deles ainda permanece muito limitado.

"LEGISLAÇÃO IMPOSSÍVEL"

"O mercado é de forma surpreendente pouco penetrado pelo luxo estrangeiro, apesar da renda disponível por habitante bastante elevada", afirmou a diretora de pesquisa do polo do luxo europeu da Bain, Joelle de Montgolfier, "ainda mais que os brasileiros são muito sensíveis a marcas".

"Há no país uma forte aspiração de ser visto com um produto de grife."

A clientela brasileira representa apenas 2 por cento das vendas das casas do Comité Colbert, ou seja, cerca de 640 milhões dentro de um número geral de 31 bilhões de euros. Desse total, somente 40 por cento das vendas são realizadas dentro do país; o restante fica por conta dos viajantes brasileiros.

Com os preços até 50 por cento mais altos do que no exterior, em razão das leis alfandegárias e taxas diversas, a clientela abastada opta pela Europa ou pelos Estados Unidos, principalmente Miami, para comprar bolsas, roupas ou calçados.

Na França, os turistas brasileiros estão prestes a tomar dos norte-americanos o quinto lugar no ranking de maiores compradores estrangeiros, segundo os números da Global Blue.

"O Brasil é um país completamente protecionista, onde é muito oneroso se implantar", disse Elisabeth.

Para os mercados franceses, a instalação no Brasil se inscreve "claramente dentro de uma diligência de visibilidade, visando aumentar a notoriedade frente aos brasileiros que viajam", acrescentou ela.

Porque às leis alfandegárias, que oscilam entre 20 e 30 por cento e podem chegar aos 50 por cento para vinhos e outras bebidas, soma-se uma série de obstáculos, tarifários ou não, e de regulamentações às vezes instáveis.

O presidente de uma marca de luxo que prefere manter o anonimato estimou que "seu trabalho consiste em buscar a clientela brasileira fora de seu país".

"As barreiras de todas as ordens são muito importantes demais, a legislação é impossível. As normas exigidas podem mudar a cada dois meses", acrescentou o dirigente.

INSEGURANÇA E CONCORRÊNCIA LOCAL

Uma taxa sobre telas --muito utilizadas pela Louis Vuitton em suas famosas bolsas com monogramas-- passou assim de 20 por cento a 35 por cento entre 2010 e 2011.

Os problemas de segurança, também, têm um custo, porque é preciso fazer a vigilância das lojas.

A célebre frota de helicópteros de São Paulo, a maior do mundo, não é explicada apenas pelo crescimento da riqueza dos indivíduos e pelo desejo de evitar os congestionamentos, mas também por razões de insegurança das ruas da capital econômica do país.

Além disso, ao contrário da China, existe no Brasil grandes marcas locais famosas e bem estimadas, no prêt-à-porter, como Gustavo Lins, Carlos Miele ou Osklen, ou uma joalheria como a Stern, que formam uma verdadeira concorrência para as grifes estrangeiras.

"Há uma concorrência real das marcas locais, que são bem caras para os brasileiros, mas menos que as marcas europeias", ressaltou Elisabeth.

Enfim, o mercado permanece bastante polarizado, dentro dos centros comerciais de grande luxo de São Paulo e do Rio de Janeiro, onde as marcas não podem se multiplicar ao infinito o número de suas lojas.

"Fora dessas duas cidades, não encontramos lojas de monomarcas e há poucos imóveis comerciais adaptados", comentou Joelle.

A cidade de Belo Horizonte, ligada às suas riquezas minerais, e Brasília ou Salvador, no entanto, poderiam permitir novos desenvolvimentos para as grifes ocidentais que atendem sobretudo ao novo impulso da Copa do Mundo de futebol, em 2014, e aos Jogos Olímpicos, em 2016.

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