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Dinamarca traça linha vermelha enquanto Otan e EUA pressionam por mais presença no Ártico

A primeira‑ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou nesta quinta-feira (22) que o país quer manter "um diálogo construtivo com seus aliados" sobre a segurança da Groenlândia e do Ártico, desde que isso não comprometa a "integridade territorial" do Reino. Frederiksen foi enfática: "Podemos negociar todos os aspectos políticos: segurança, investimento, economia. Mas não podemos negociar nossa soberania."

22 jan 2026 - 08h07
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Após semanas de ameaças dirigidas aos europeus, Trump baixou o tom na quarta-feira, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, onde anunciou "um futuro acordo" com a Otan sobre a Groenlândia após se reunir com o secretário‑geral da Aliança, Mark Rutte. Em Davos, o presidente também suspendeu a ameaça de impor tarifas adicionais a oito países europeus, incluindo a França, e descartou o uso da força para assumir o controle da ilha.

Já nesta quinta-feira, Rutte afirmou à Reuters, também em Davos, que o acordo‑quadro a ser firmado com os EUA sobre a Groenlândia prevê um reforço da presença da Otan no Ártico. Segundo ele, os comandantes militares ainda definirão as necessidades adicionais, mas há confiança de que todos os aliados contribuirão. O secretário‑geral disse esperar que o plano esteja operacional "até 2026, ou até mesmo no início de 2026".

Segundo uma fonte entrevistada pela AFP, os Estados Unidos e a Dinamarca irão renegociar o acordo de defesa de 1951 sobre a Groenlândia. A ideia de instalar bases militares sob soberania dos EUA, porém, não teria sido discutida. A mesma fonte confirmou que a segurança no Ártico será reforçada e que países europeus da Otan participarão do esforço.

A posição de Copenhague foi reiterada publicamente. O ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, afirmou no X que "Rutte obviamente não pode negociar um acordo em nome da Dinamarca ou da Groenlândia, mas tem trabalhado lealmente pela coesão da Otan". O ministro reforçou que o país tem "uma linha vermelha clara: não cederemos nossa soberania sobre partes do Reino".

Nos bastidores, porém, circulam propostas alternativas à anexação da Groenlândia. Segundo o jornal Le Monde, Rutte teria sugerido a Trump, em conversa telefônica no domingo (18), a transferência da soberania da base militar de Pituffik aos Estados Unidos, seguindo o modelo das bases britânicas de Akrotiri e Dhekelia, que permanecem sob controle do Reino Unido após a independência de Chipre. Em Pituffik, o acordo de 1951, revisado em 2004, concede amplos poderes operacionais aos Estados Unidos, mas não a soberania reivindicada por Trump.

O New York Times também relatou que a Dinamarca poderia ceder porções de seu território autônomo aos Estados Unidos para novas bases militares sob soberania americana, proposta sensível e ainda pendente de discussões entre dinamarqueses e groenlandeses.

Na véspera das declarações, Frederiksen manteve contato com Rutte para reafirmar que a Dinamarca não abrirá mão da soberania sobre a Groenlândia.

Repercussão

A imprensa francesa destacou a suspensão das ameaças tarifárias de Trump contra oito países europeus e o tom mais moderado adotado pelo americano em Davos. O portal e canal de TV Franceinfo questiona: "É o fim da história ou apenas de um capítulo?", ao analisar a mudança de discurso do presidente. O veículo ouviu Camille Grand, ex-secretário‑geral adjunto da Otan e hoje pesquisador do Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR), que interpreta o recuo como resultado da pressão exercida pelas capitais europeias. A União Europeia avaliou reativar a retaliação econômica de € 93 bilhões em tarifas contra produtos dos EUA, além de medidas adicionais envolvendo investimentos de empresas americanas no continente.

Apesar do recuo temporário por parte de Washington, os líderes europeus mantiveram para esta quinta‑feira, em Bruxelas, a reunião extraordinária do Conselho convocada para apresentar uma resposta unificada às ameaças de Trump.

'Ameaça iminente'

Em seu discurso em Davos, Trump voltou a sustentar que a Groenlândia enfrenta uma "ameaça iminente" devido às ambições imperialistas da China e da Rússia, insistindo que a Dinamarca não teria condições de defendê-la sozinha. O jornal Le Parisien destacou suas palavras: o presidente afirmou respeitar os dinamarqueses e os groenlandeses, mas argumentou que cada aliado da Otan deve ser capaz de proteger seu próprio território - algo que, segundo ele, apenas os Estados Unidos conseguiriam garantir no caso da Groenlândia.

Trump também evocou o poderio americano, dizendo: "Somos uma grande potência, muito maior do que as pessoas imaginam. Acho que eles perceberam isso há duas semanas, na Venezuela."

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