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França se prepara para nova onda de calor, com mais riscos de mortes e incêndios

A França deve enfrentar uma nova onda de calor já a partir do próximo fim de semana, poucos dias após o enfraquecimento do episódio de clima quente extremo que atingiu grande parte do país. A previsão é da agência meteorológica Météo-France, que alertou nesta terça-feira (30) para temperaturas acima de 35°C em diversas regiões e para o agravamento da seca e do risco de incêndios.

30 jun 2026 - 11h09
(atualizado às 11h12)
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"Esperamos novamente temperaturas mais elevadas a partir de sexta-feira (3) e do próximo fim de semana, com condições anticiclônicas vindas do sul do país", afirmou à AFP o meteorologista Patrick Galois. Segundo ele, os termômetros deverão registrar "temperaturas muito elevadas, provavelmente acima dos 35°C", embora nem todas as regiões francesas sejam afetadas.

O novo episódio é previsto antes mesmo do encerramento oficial da onda de calor que atingiu o país nos últimos dias. Nesta terça e quarta-feira, quatro departamentos do sudeste da França permanecem sob alerta laranja devido às altas temperaturas, o terceiro nível em uma escala de quatro, que indica risco significativo.

A ministra francesa da Transição Ecológica, Monique Barbut, já havia advertido na semana passada que os modelos da Météo-France indicavam "fortes probabilidades" de retorno do calor extremo até 14 de julho. Na segunda-feira, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu também admitiu essa possibilidade, afirmando que os dispositivos de emergência adotados durante o episódio recente "funcionaram bem".

Além das altas temperaturas, os meteorologistas alertam para um fator agravante: a ausência de chuvas significativas entre os dois episódios de calor. Segundo Patrick Galois, esse intervalo seco acelera o ressecamento do solo e aumenta o risco de incêndios florestais em diversas regiões do país.

Na região de Paris, embora o alerta laranja para canicule tenha sido suspenso, a prefeitura decidiu manter parte das medidas emergenciais adotadas durante o pico do calor. Segundo a administração municipal, os efeitos das temperaturas extremas ainda persistem, já que edifícios e áreas urbanas continuam retendo o calor acumulado ao longo de vários dias.

Parques e jardins acessíveis

Pessoas mergulham na Fonte do Trocadéro, perto da Torre Eiffel, durante uma onda de calor em Paris, em 22 de junho de 2026.
Pessoas mergulham na Fonte do Trocadéro, perto da Torre Eiffel, durante uma onda de calor em Paris, em 22 de junho de 2026.
Foto: RFI

A maior parte dos 550 parques e jardins municipais de Paris permanecerá aberta 24 horas por dia para oferecer áreas mais frescas à população. A prefeitura também prorrogou o funcionamento da área de banho no Canal Saint-Martin, no leste da capital, aberta diariamente das 15h às 21h, e orientou os moradores a ventilar as residências durante a noite e nas primeiras horas da manhã para dissipar o calor acumulado no interior dos imóveis.

As autoridades sanitárias seguem preocupadas com os efeitos do calor intenso sobre a saúde da população, especialmente entre idosos e pessoas vulneráveis. Em um primeiro balanço, a agência de saúde pública da França estimou que cerca de 1 mil mortes a mais do que o esperado foram registradas no país desde o início da onda de calor, na última quarta-feira (24).

No domingo (28), a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que mais de 1.300 pessoas morreram na Europa em consequência da onda de calor que atinge o continente desde 21 de junho.

Para o epidemiologista Basile Chaix, diretor de pesquisa do Instituto Nacional Francês de Saúde e Pesquisa Médica (Inserm), as ondas de calor provocam entre 1 mil e 7 mil mortes por ano na França. "É possível supor que, neste verão, estaremos mais próximos de 7 mil do que de 1 mil mortes", afirmou à AFP.

Episódios de calor vão ser o padrão

Especialistas alertam que episódios como este tendem a se tornar mais frequentes. Um relatório divulgado em 11 de junho por 70 cientistas de 17 países concluiu que o aquecimento global continua se intensificando e que a elevação do nível dos oceanos está se acelerando. Na mesma linha, o observatório europeu Copernicus advertiu que eventos climáticos extremos estão deixando de ser exceção para se tornar "o novo padrão".

A nova onda de calor ocorre em meio a um cenário de temperaturas extremas em diversas partes do mundo. Enquanto o calor perde força em parte da Europa, mais de 95 milhões de pessoas no continente ainda devem enfrentar temperaturas superiores a 35°C em algum momento desta terça-feira, segundo cálculos da AFP.

Portugal também se prepara para um novo episódio de calor intenso, que poderá durar pelo menos uma semana e levar os termômetros a 44°C. Nos Estados Unidos, uma intensa onda de calor também ameaça bater recordes de temperatura e afetar tanto a Copa do Mundo da Fifa quanto as comemorações pelos 250 anos da independência do país.

Com agências

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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