França condena ataque que matou jornalistas no Líbano e alerta Israel sobre violação do direito internacional
O ministro das Relações Exteriores da França declarou neste domingo (29) que jornalistas que trabalham em zonas de guerra "nunca" devem ser alvejados, "inclusive quando têm ligações com as partes envolvidas no conflito". O funeral de três jornalistas libaneses, incluindo um correspondente de destaque do canal Al-Manar, do Hezbollah, ocorreu nos subúrbios do sul de Beirute.
Debaixo de chuva, centenas de pessoas se reuniram em um cemitério improvisado em um bairro bombardeado por Israel, para prestar suas últimas homenagens aos profissionais da imprensa mortos na guerra.
Três jornalistas libaneses morreram no sábado (28) após um ataque aéreo israelense atingir o veículo em que viajavam no sul do Líbano, na região de Jezzine, segundo fontes militares e veículos de comunicação locais. Entre as vítimas estão a repórter Fatima Ftouni, da Al-Mayadeen, e o correspondente de guerra Ali Shoeib, da Al-Manar, além do irmão da jornalista, um cinegrafista.
"Fátima foi uma heroína, Ali Shoeib um herói. Eles cobriram todas as batalhas no sul, filmaram sob bombardeio, e nós continuaremos, mesmo que todos morramos", enfatizou Qassem, um amigo de Fátima que preferiu não revelar seu sobrenome.
"Estamos aqui hoje para reafirmar o compromisso da mídia: Israel pode bombardear jornalistas o quanto quiser, mas não pode silenciar nossas vozes", insistiu Hussein Mortada, um proeminente jornalista pró-Hezbollah e amigo de Ali Shoeib.
O Exército israelense reivindicou a morte de Ali Shoeib, que descreveu como membro da força al-Radwan, uma unidade de elite do Hezbollah, que operava "sob o disfarce de jornalista" e, segundo o Exército, fazia reconhecimento de posições de tropas israelenses no sul do Líbano.
"Se for comprovado que os jornalistas em questão foram alvejados deliberadamente pelo Exército israelense, trata-se de uma violação extremamente grave e flagrante do direito internacional", declarou Jean-Noël Barrot ao canal público de televisão France 3, um dia após a morte dos profissionais libaneses.
Desde que o Líbano foi arrastado para a guerra regional, em 2 de março, por um ataque a Israel realizado pelo Hezbollah pró-iraniano, quase 1.200 pessoas foram mortas em ataques aéreos israelenses massivos e mais de um milhão foram deslocadas.
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, condenou a escalada implacável da violência no Oriente Médio. Em relação ao Líbano, ele enfatizou a necessidade de o governo libanês restaurar "a autoridade do Estado para manter seu monopólio sobre as armas, proteger todas as comunidades e viver em paz e segurança com seus vizinhos". Ainda segundo o chefe da diplomacia francesa, "Israel deve respeitar a integridade territorial e o direito internacional do Líbano em todas as circunstâncias".
Socorristas na linha de tiro
Além de jornalistas, socorristas também estão na linha de tiro dos combates. Um ataque aéreo israelense contra uma ambulância pertencente a um serviço médico ligado ao Hezbollah matou duas pessoas no sul do Líbano neste domingo. Entre as vítimas estão um paramédico e a pessoa ferida que ele havia ido socorrer, informou a organização à AFP. Uma foto mostra uma ambulância completamente destruída e em chamas.
No sábado, nove paramédicos foram mortos em ataques aéreos israelenses no sul do Líbano, elevando o número de paramédicos e profissionais de saúde mortos desde o início da guerra para 51, segundo o Ministério da Saúde.
Com AFP