Foguetes palestinos contra Tel Aviv e Jerusalém, 75.000 reservistas mobilizados
Combatentes palestinos em Gaza dispararam nesta sexta-feira foguetes em direção a Jerusalém e a Tel Aviv, levando Israel a mobilizar 75.000 reservistas para uma possível ofensiva terrestre contra o enclave palestino.
GAZA, 16 Nov 2012 (AFP) -Combatentes palestinos em Gaza dispararam nesta sexta-feira foguetes em direção a Jerusalém e a Tel Aviv, levando Israel a mobilizar 75.000 reservistas para uma possível ofensiva terrestre contra o enclave palestino.No terceiro dia de sua operação "Pilar de Defesa", o Exército de Israel manteve seus ataques aéreos a Gaza e bloqueou todas as estradas em torno do território, perto de onde já estão posicionados blindados de transportes de tropas, tanques e bulldozers.No total, 30 palestinos morreram e 280 ficaram feridos após três dias de ataques aéreos (cerca de 500), indicaram fontes médicas, enquanto três israelenses também perderam a vida na queda de um foguete disparado a partir de Gaza contra o sul de Israel.Em Nova York, a Organização das Nações Unidas anunciou que o secretário-geral Ban Ki-moon visitará Gaza "em breve" para convencer israelenses e palestinos a declararem uma trégua. O presidente palestino, Mahmud Abbas, afirmou que a visita será realizada dentro de "dois ou três dias".Já o presidente americano, Barack Obama, reiterou nesta sexta o apoio dos Estados Unidos a Israel e ao seu direito de se defender durante uma conversa por telefone com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sobre a situação em Gaza."O presidente reiterou o apoio dos Estados Unidos ao direito de Israel de se defender, e lamentou as perdas de vidas civis israelenses e palestinas", declarou a Casa Branca em um comunicado.Netanyahu, que ligou para Obama, manifestou o seu profundo apreço pelos investimentos americanos no sistema antimísseis Domo de Ferro, "que neutralizou efetivamente centenas de foguetes disparados de Gaza e salvou incontáveis vidas israelenses". Os dois líderes também "abordaram as opções para acalmar a situação." Mas o documento da Casa Branca não apresenta detalhes.Nesta sexta-feira, Obama também conversou com o presidente do Egito, Mohamed Mursi, e com o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. A Mursi, Obama pediu que o governo egípcio faça esforços pela paz. Ao lado de Erdogan, o mandatário americano manifestou a sua "preocupação com os perigos para as populações civis de ambos os lados".Em uma nova escalada, o movimento islâmico Hamas, no poder em Gaza, disparou um foguete que caiu sem deixar vítimas em uma área desabitada do sudoeste de Jerusalém, segundo a polícia.Esta foi a primeira vez na história do conflito entre israelenses e palestinos que um foguete lançado a partir de Gaza caiu perto da cidade sagrada, coração político de Israel situado a 65 quilômetros do enclave palestino.á --- Possível ofensiva terrestre--Na quinta e na sexta-feira outros três disparos de foguetes foram efetuados contra Tel Aviv, capital econômica do país, situada mais ao norte. Nunca até agora um projétil lançado de Gaza havia chegado tão ao norte do território de Israel.Para responder aos disparos de foguetes, o governo israelense autorizou nesta sexta-feira a mobilização de 75.000 reservistas do Exército após uma reunião em Tel Aviv do gabinete de segurança presidido pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, indicou a televisão.O Exército, que parece estar se preparando para um possível ataque terrestre, anunciou o fechamento do tráfego civil em todas as estradas principais que levam a Gaza e indicou ter jogado sobre o território palestino 12.000 panfletos "pedindo aos civis que se distanciem dos ativistas de Hamas".Segundo os correspondentes da AFP na região, o Exército reuniu um grande número de tropas e armas pesadas na fronteira com o território palestino.Na quinta-feira, Benjamin Netanyahu, em plena campanha eleitoral para as legislativas antecipadas de 22 de janeiro, havia dito que seu país "realizaria todas as ações necessárias" contra os foguetes disparados a partir de Gaza.Nesta sexta-feira, a aviação manteve seus ataques aéreos que deixaram 11 palestinos mortos (civis e combatentes), de acordo com fontes médicas de Gaza, um pequeno território pobre e superpovoado de 362 km2.á --- áPedido de ajuda ao Egito ---Israel iniciou sua operação na quarta-feira com o assassinato do chefe militar do Hamas, Ahmed Jaabari, em um ataque aéreo. Foi a autoridade mais importante da organização morta desde a operação "Chumbo Grosso" (dezembro de 2008-janeiro de 2009) que não conseguiu deter o disparo de foguetes palestinos.Desde quarta-feira 357 foguetes foram lançados de Gaza contra Israel, dos quais 197 foram interceptados pelo Domo de Ferro, indicou o Exército.A escalada da violência segue em progressão, apesar dos apelos internacionais à calma e da breve visita a Gaza nesta sexta-feira do primeiro-ministro egípcio, Hicham Qandil, que denunciou "uma flagrante agressão [israelense] contra a Humanidade" e prometeu que não deixará Gaza "só".A Rússia seguiu Estados Unidos e União Europeia e pediu que o Egito utilize sua influência para acalmar a situação. O Egito é governado pela Irmandade Muçulmana, movimento que deu origem ao Hamas.O Hamas, um movimento que defende a luta armada contra Israel e se nega a reconhecer sua existência, recebeu nesta sexta-feira o apoio de manifestantes em Cisjordânia, Irã, Cairo e nos campos palestinos do Líbano, onde o movimento xiita Hezbollah saudou os ataques contra Tel Aviv.Na Cisjordânia, Mahmud Abbas afirmou que a ofensiva israelense não impedirá o pedido da Palestina para que se torne um Estado não-membro da ONU, previsto para 29 de novembro, apesar da oposição de Israel.bur-agr-sst/tp/dm