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EUA apreendem petroleiro com bandeira russa e ligado à Venezuela após perseguição de semanas

7 jan 2026 - 09h49
(atualizado às 12h09)
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Os Estados Unidos apreenderam um navio petroleiro de bandeira russa que estava sendo escoltado por um submarino russo nesta quarta-feira, após uma perseguição de mais de duas semanas pelo Atlântico como parte de um "bloqueio" dos EUA às exportações de petróleo venezuelano, disseram duas autoridades norte-americanas à Reuters.

Essa parece ter sido a primeira vez na memória recente que os militares dos EUA apreenderam um navio de bandeira russa.

A operação ‌foi realizada depois que o navio-tanque, originalmente conhecido como Bella-1, escapou de um bloqueio marítimo dos EUA contra navios-tanque sancionados no Caribe e rejeitou os esforços da Guarda Costeira dos EUA para abordá-lo. O esforço ‌de apreensão foi relatado pela primeira vez pela Reuters.

Em um post no X, o Comando Europeu das Forças Armadas dos EUA disse que o governo Trump havia apreendido o navio por violar as sanções dos EUA.

"O bloqueio do petróleo venezuelano sancionado e ilícito continua em PLENO EFEITO -- em qualquer lugar do mundo", disse o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, em resposta a essa postagem.

As autoridades norte-americanas, que falaram sob condição de anonimato, disseram que a operação desta quarta-feira perto da Islândia estava sendo realizada pela Guarda Costeira e pelas Forças Armadas dos EUA.

A Guarda Costeira não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

As ‍autoridades disseram que embarcações militares russas estavam nas imediações da operação, incluindo um submarino russo. Não ficou claro o quão perto as embarcações estavam da operação, mas não houve indícios de um confronto entre as forças militares dos EUA e da Rússia.

Não houve nenhum comentário imediato de Moscou. No entanto, o meio de comunicação estatal russo RT publicou uma imagem de um helicóptero pairando perto do navio.

NÃO ESTÁ CLARO PARA ONDE O NAVIO IRÁ AGORA

A apreensão ocorreu poucos dias depois que as forças especiais dos EUA invadiram Caracas antes do amanhecer de sábado em ‌um ataque para capturar o presidente Nicolás Maduro e levá-lo para os Estados Unidos. Os militares dos EUA o entregaram às autoridades federais norte-americanas ‌para que fosse processado por acusações de suposto tráfico de drogas.

Não ficou claro para onde exatamente o navio iria agora, mas fontes disseram que ele provavelmente estaria entrando em águas territoriais britânicas.

O Ministério da Defesa do Reino Unido não quis comentar.

A Guarda Costeira dos EUA tentou interceptar o navio pela primeira vez no mês passado, mas ele se recusou a ser abordado. Desde então, ele foi registrado com bandeira russa e passou a se chamar Marinera.

A embarcação é o mais recente navio-tanque visado pela Guarda Costeira dos EUA desde o início da campanha de pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, contra a Venezuela.

Separadamente, a Guarda Costeira dos EUA também interceptou outro navio-tanque ligado à Venezuela em águas latino-americanas, disseram autoridades norte-americanas à Reuters nesta quarta-feira, enquanto os EUA continuam a impor seu bloqueio a navios sancionados da Venezuela.

Fontes disseram à Reuters que o navio era o superpetroleiro M Sophia, de bandeira panamenha, que está sob sanções.

Ele havia partido das águas venezuelanas no início de janeiro como parte de uma frota de navios que transportavam petróleo venezuelano para a China em "modo escuro" ou com o transponder desligado, de acordo com dados e fontes de navegação.

TRUMP DE OLHO NO PETRÓLEO VENEZUELANO

As principais autoridades venezuelanas classificaram a captura de Maduro como um sequestro e acusaram os EUA de tentar roubar as vastas reservas de petróleo do país, estimadas como as maiores do mundo.

Por sua vez, Trump e as principais autoridades dos EUA acusaram a Venezuela de roubar o petróleo dos EUA, em uma aparente referência à nacionalização do setor de energia do país em várias ondas ao longo do último meio século.

A Venezuela tem milhões de barris de petróleo carregados em navios-tanque e em tanques de armazenamento que não consegue transportar devido ao bloqueio efetivo dos EUA às exportações imposto desde meados de dezembro.

Trump disse na terça-feira que Caracas e Washington chegaram a um acordo para exportar até US$2 bilhões em petróleo bruto venezuelano para os Estados Unidos, um acordo que desviaria os suprimentos da China e ajudaria a Venezuela a evitar cortes mais profundos na produção de petróleo.

Esse acordo seria um forte sinal de que o governo venezuelano está respondendo à exigência de Trump de que as autoridades ‌do país se abram para as empresas petrolíferas dos EUA ou corram o risco de uma intervenção militar maior.

Trump disse que quer que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, dê aos EUA e às empresas privadas "acesso total" ao setor petrolífero do país.

Desde que os EUA impuseram sanções energéticas à Venezuela em 2019, comerciantes e refinarias que compram petróleo venezuelano recorreram a uma "frota sombra" de navios-tanque que disfarçam sua localização ou a navios já sancionados por transportar petróleo iraniano ou russo.

A frota sombra é considerada exposta a possíveis medidas punitivas dos EUA, segundo analistas de transporte marítimo.

Reuters Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
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