Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

As Principais Notícias da Europa

Vice de Trump declara apoio a Viktor Orbán e critica Bruxelas antes de eleições na Hungria

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou nesta terça-feira (7), em Budapeste, que quis "enviar um sinal" à União Europeia ao visitar a Hungria para apoiar o primeiro‑ministro Viktor Orbán, líder que se tornou referência internacional do antiliberalismo. A viagem ocorre às vésperas das eleições parlamentares de domingo (12) e foi acompanhada de críticas à atuação de Bruxelas.

7 abr 2026 - 12h30
Compartilhar

Com informações de Florence Labruyère, correspondente da RFI em Budapeste

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, cumprimenta o vice-presidente dos EUA, JD Vance, em Budapeste, Hungria, em 7 de abril de 2026.
O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, cumprimenta o vice-presidente dos EUA, JD Vance, em Budapeste, Hungria, em 7 de abril de 2026.
Foto: © Jonathan Ernst / Reuters / RFI

Durante a visita de dois dias, acompanhado da esposa, Usha, Vance deve participar, ao lado do líder húngaro, de um comício de campanha. No entanto, Orbán precisará de mais do que o simples apoio de Vance para convencer os eleitores: nas pesquisas de intenção de voto, seu partido, o Fidesz, aparece quase oito pontos atrás do partido de centro-direita Tisza. "Não vou dizer aos húngaros como votar", afirmou JD Vance, em uma entrevista coletiva conjunta com Orbán.

"Eu realmente queria enviar um sinal a todos, especialmente aos burocratas em Bruxelas, que fizeram tudo o que puderam para manter o povo húngaro sob pressão, porque não gostam do líder que de fato defendeu o povo da Hungria", declarou Vance.

Em entrevista a jornalistas antes de deixar Washington, na segunda-feira (6), o vice-presidente americano disse esperar rever seu "bom amigo Viktor". Segundo Vance, os dois discutirão questões relacionadas aos Estados Unidos e à Hungria, além das relações com a União Europeia e a Ucrânia. Essa demonstração de apoio pessoal por parte de um alto integrante do governo americano é o exemplo mais recente da disposição de Donald Trump de apoiar dirigentes nacionalistas que compartilham de suas ideias, como o presidente argentino Javier Milei e a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi.

JD Vance não é o primeiro membro do governo Trump a visitar a Hungria neste ano eleitoral. Há poucas semanas, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, também esteve em Budapeste, onde disse a Viktor Orbán, entre outras coisas, que lhe desejava "sucesso nas eleições".

Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, o governo americano tem apoiado abertamente líderes europeus que considera mais alinhados com seus interesses.

Os republicanos veem Viktor Orbán como um modelo de político que teria feito o que Trump faria, antes mesmo de Trump: já em 2010, ele assumiu o controle efetivo da mídia e das instituições húngaras, distribuindo contratos a seu círculo íntimo.

Além disso, Orbán vem ajustando o sistema político da Hungria de modo a governar por 16 anos consecutivos como uma figura dominante e polarizadora.

No entanto, o ultranacionalista de 62 anos — aliado também da China e da Rússia — viu seu domínio sobre o poder enfraquecer, o que pode levá-lo a perder as eleições legislativas deste domingo. Apesar de liderar um pequeno país de 9,5 milhões de habitantes, ele é conhecido internacionalmente como um opositor ferrenho da imigração, dos direitos LGBTQIA+ e do apoio ocidental contínuo à Ucrânia contra a invasão russa.

Líder dos antiliberais

"Ele se destaca entre os líderes políticos europeus como alguém diferente", afirmou à AFP Emilia Palonen, professora da Universidade de Helsinque. "Líderes antiliberais o veem como um modelo — alguém que teve sucesso e conseguiu conquistar o poder", acrescentou.

Orbán ganhou notoriedade durante o colapso do comunismo húngaro, em 1989, com uma retórica inflamada que exigia democracia e a retirada das tropas soviéticas do país. Foi uma das estrelas em ascensão da "nova" Europa e tornou-se deputado no Parlamento na Hungria recém-democratizada em 1990.

Pouco depois, abandonou sua imagem de liberal radical e passou a remodelar o Fidesz — partido que cofundou — transformando-o em uma força de centro-direita, defensora de valores familiares e cristãos. A estratégia deu resultado: conquistou a classe trabalhadora e foi eleito primeiro-ministro em 1998, aos 35 anos.

Seu primeiro mandato foi turbulento e terminou com uma derrota para os socialistas em 2002 — repetida em 2006. Retornou ao poder em 2010, mais experiente e mais astuto.

Apoiado por uma maioria de dois terços no Parlamento, promoveu uma ampla reforma das estatais e introduziu uma nova Constituição de orientação conservadora.

Orbán passou então a redefinir o Estado húngaro e suas instituições, construindo gradualmente um sistema que, em 2014, batizou de "Estado antiliberal".

"Ele conseguiu estruturar o sistema político em torno de si mesmo", explicou à AFP Attila Gyulai, cientista político da Universidade ELTE, na Hungria. Embora isso lhe tenha garantido "uma enorme vantagem competitiva", as eleições "continuam sendo realizadas dentro de um quadro democrático", acrescentou.

Há anos, críticos acusam Orbán de enfraquecer a independência do Judiciário, silenciar a imprensa e manipular o sistema eleitoral. Ele, porém, transformou essas acusações em capital político, lançando campanhas midiáticas centradas em seus constantes embates com Bruxelas, nas quais se apresenta como defensor dos interesses nacionais.

Sua coalizão governista, Fidesz-KDNP, foi reeleita com maioria de dois terços nas últimas três eleições.

Durante anos, a filiação do Fidesz à maior família política da União Europeia, o Partido Popular Europeu (PPE), protegeu Orbán de sanções mais severas frente ao retrocesso democrático na Hungria.

Em 2021, PPE e Fidesz romperam relações após tentativas frustradas de pressionar Orbán a conter suas tendências autocráticas. As consequências do rompimento ficaram evidentes no ano seguinte, quando a União Europeia suspendeu bilhões de euros destinados à Hungria, citando preocupações com corrupção e o Estado de direito.

Embora o governo húngaro tenha realizado reformas que permitiram o desbloqueio parcial desses recursos, cerca de 18 bilhões de euros permanecem congelados.

Após sua vitória eleitoral em 2022, Orbán passou a se projetar de forma mais intensa como ator geopolítico, estreitando laços com Trump, líderes da extrema direita europeia e figuras latino-americanas próximas, como o chileno José Antonio Kast.

Seu governo investiu recursos públicos de forma significativa para promover seu modelo político. Em 2024, aproveitou a presidência semestral da Hungria no Conselho da UE para realizar uma autodenominada missão de paz a Moscou, iniciativa que irritou outros líderes europeus.

Enquanto políticos de perfil semelhante chegaram ao poder em diversas partes do mundo, a influência de Orbán começou a declinar internamente, em meio à estagnação econômica, a escândalos e ao surgimento do carismático adversário Peter Magyar.

A Hungria enfrenta uma inflação muito elevada desde o início da guerra na Ucrânia, que fez disparar os preços da energia, enquanto Budapeste depende totalmente de Moscou para seu abastecimento. O crescimento econômico do país está estagnado há três anos.

RFI com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra