União Europeia tem projeto para formar cerca de 3 mil policiais na Faixa de Gaza
A União Europeia (UE) planeja formar milhares de policiais na Faixa de Gaza, a exemplo do que já fez na Cisjordânia. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (19) por uma fonte do bloco, sob anonimato.
As declarações ocorrem depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou, na segunda-feira (17), uma resolução que endossa o plano de paz do presidente americano, Donald Trump. Desde que começou a ser aplicada, em 10 de outubro, a iniciativa abriu caminho para um cessar-fogo entre Israel e o grupo Hamas na Faixa de Gaza.
A fase seguinte do plano prevê o envio de uma força internacional ao território palestino, que será encarregada de garantir a segurança das fronteiras com Israel e Egito, desmilitarizar Gaza e desarmar os grupos armados "não estatais". No entanto, existe a "necessidade de estabilizar Gaza com uma força policial significativa", afirmou o responsável europeu à AFP, sob condição de anonimato. Segundo ele, o treinamento promovido pela UE ocorrerá fora da Faixa de Gaza.
A proposta será analisada na quinta-feira (20) pelos ministros das Relações Exteriores da UE, reunidos em Bruxelas. No mesmo dia, o bloco também organizará uma conferência de países doadores para a Palestina. São esperadas cerca de 60 delegações na capital belga, incluindo países árabes, mas sem a participação de Israel, cujo governo segue resistente à ideia da criação de um Estado palestino.
Protagonismo da UE no Oriente Médio
A União Europeia busca retomar um papel de destaque nesta região do Oriente Médio por meio do projeto de apoio à segurança na Faixa de Gaza. O bloco já financia, desde 2006, uma missão de formação de policiais na Cisjordânia, com um orçamento de € 13 milhões.
Cerca de sete mil policiais na Faixa de Gaza ainda recebem salários da Autoridade Palestina, que governa a Cisjordânia, explicou o responsável. Muitos já se aposentaram ou não têm mais condições de trabalhar, mas cerca de três mil ainda podem ser treinados, acrescentou.
A União Europeia é hoje o principal apoio financeiro da Autoridade Palestina. No entanto, o bloco condiciona o futuro dessa ajuda à realização de reformas, consideradas indispensáveis para que a administração possa desempenhar plenamente seu papel dentro da solução de dois Estados.
Segundo o responsável europeu, a conferência dos países doadores para a Palestina na quinta-feira também permitirá "fazer um balanço" sobre o andamento dessas reformas. O maior desafio, no entanto, será formar uma força policial que não seja vinculada ao grupo Hamas, que administra a Faixa de Gaza.
Com AFP