UFPA busca liderança científica pós‑COP30 e reforça parcerias com a França para proteger a Amazônia
A Universidade Federal do Pará (UFPA) realizou, entre 16 e 20 de março, um tour científico por Toulouse, Montpellier, Le Mans, Tours e Paris, com o objetivo de fortalecer parcerias internacionais e consolidar seu papel como referência global em pesquisas sobre biodiversidade e clima após a COP30. A iniciativa busca integrar o conhecimento tradicional amazônico às tecnologias avançadas desenvolvidas na Europa.
Maria Paula Carvalho, da RFI
Em entrevista à RFI em Paris, o reitor Gilmar Pereira da Silva explica que a viagem aprofunda décadas de cooperação da UFPA com instituições francesas. "Foi um périplo para reforçar ações que já fazemos juntos. Os acordos entre a UFPA e a França vêm do século passado, e muitos de nossos pesquisadores foram formados aqui nos anos 1980", afirma. Ele destaca que a COP30 evidenciou a necessidade de transformar essa colaboração em ações permanentes voltadas à defesa da Amazônia. "Agora estamos nos preparando para o que teremos a dizer na COP31."
Entre os temas tratados, ganharam destaque os projetos MangMap e MOSAIC, focados no mapeamento e monitoramento dos manguezais. "A UFPA tem uma tradição forte no estudo dos mangues, que já resultou em políticas públicas como o período de defesa do caranguejo. Esses mapeamentos são essenciais para garantir a sobrevivência desses biomas", explica o reitor.
A missão também firmou novos acordos com o CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica) e o CIRAD (Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa e Desenvolvimento Agrícola), ampliando a cooperação científica e prevendo intercâmbio entre pesquisadores brasileiros e franceses. O reitor reuniu‑se ainda com a direção do IRD (Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento), na Maison du Brésil, em Paris, e confirmou a instalação de um polo do Instituto das Américas em Belém — o segundo no Brasil, depois da USP.
Amazônia: entre ameaças e esperança
Sobre o futuro da floresta, Gilmar Pereira da Silva mantém o otimismo: "A UFPA está em 12 campi e presente em 83 municípios do Pará. Temos uma leitura muito clara de como proteger a Amazônia." Ele lembra que 95% da ciência brasileira é produzida por universidades públicas e que a UFPA é a instituição que mais gera conhecimento sobre a região no mundo.
A COP30, realizada em Belém, também foi marcada pelo protagonismo indígena. "Recebemos a Cúpula dos Povos, mais de 40 mil pessoas, e hospedamos 6 mil indígenas de todo o mundo. A visibilidade foi inédita", afirma.
As ameaças à floresta, porém, seguem presentes: grilagem, poluição, garimpo ilegal e a pressão sobre as terras indígenas. "Garantir esses territórios é proteger todos nós. Abrir essas áreas para uso agrícola teria impactos terríveis para a Amazônia e para o planeta."
Para o reitor, é fundamental que a sociedade compreenda o alcance global desse debate. "Ao defender a Amazônia, defendemos a humanidade."