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Morre o ex-primeiro-ministro francês Lionel Jospin, figura central da esquerda francesa

Político proeminente da esquerda francesa, Lionel Jospin faleceu no domingo (22), aos 88 anos. A notícia foi divulgada pela família nesta segunda-feira (23). O socialista ocupou diversos cargos públicos, tendo sido primeiro-ministro durante o governo de coabitação do presidente Jacques Chirac por quase cinco anos (1997-2002). Jospin havia se aposentado da vida política em 2002, após sua derrota na eleição presidencial que levou Jean-Marie Le Pen, da extrema direita, ao segundo turno.

23 mar 2026 - 06h45
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A causa da morte não foi divulgada. Mas em janeiro, Jospin havia indicado que passaria por "uma cirurgia séria", sem revelar detalhes.

Ex-primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, em 5 de janeiro de 2024.
Ex-primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, em 5 de janeiro de 2024.
Foto: AFP - LUDOVIC MARIN / RFI

Lionel Jospin nasceu em Meudon (Hauts-de-Seine) em 12 de julho de 1937, em uma família protestante de esquerda. Sua mãe, Mireille Dandieu, parteira, era a segunda esposa de seu pai, Robert Jospin, com quem teve quatro filhos.

Pacifista convicto, membro da SFIO (Seção Francesa da Internacional Operária) e maçom, Robert Jospin foi professor e, posteriormente, diretor de um centro nacional de educação para crianças consideradas problemáticas e delinquentes. Essa forte presença ideológica e profissional do pai marcaria a formação do jovem Lionel, embora a relação entre os dois fosse conturbada e só começasse a se amenizar pouco antes da morte de Robert, em 1990.

Inicialmente trotskista, Lionel Jospin ingressou no Partido Socialista em 1971. Dez anos depois, tornou-se primeiro-secretário da legenda. Foi eleito deputado em diversas ocasiões pelo 18º distrito de Paris e pela cidade de Cintegabelle, no sul do país. Também exerceu mandatos locais: foi membro do conselho regional - equivalente a uma assembleia legislativa estadual - e do conselho geral, instância que administra o departamento, algo próximo a um governo estadual francês. Além disso, integrou o Parlamento Europeu entre 1984 e 1988. Entre 1988 e 1992, ocupou o cargo de ministro da Educação.

Legado

Na vida política, Jospin ficou conhecido por criar a semana de trabalho de 35 horas, uma de suas principais promessas de campanha. Também foi responsável pela criação do PACS, uma união civil que permite a duas pessoas maiores de idade - sejam do mesmo sexo ou não - formalizar a vida em comum. O acordo garante vários direitos semelhantes aos do casamento, porém com procedimentos mais simples e menos implicações jurídicas. Na época, o PACS era a única forma legal de reconhecimento para casais do mesmo sexo na França.

O governo do ex-primeiro-ministro também esteve por trás da criação da Cobertura Universal de Saúde, de programas de emprego para jovens e da lei da presunção de inocência.

Impulsionado pelo crescimento global, Jospin, que foi professor de economia, organizou um plano para combater o desemprego. As medidas apresentaram inicialmente resultados positivos: a taxa de desemprego francesa caiu de forma constante, ficando abaixo de 9% em 2001, antes de voltar a subir.

Para governar a França, Lionel Jospin contou com uma ampla aliança de esquerda na Assembleia Nacional: a "maioria plural", que reunia socialistas, comunistas, membros do Partido da Esquerda Radical e os Verdes.

Reações 

A morte de Lionel Jospin provocou forte comoção no cenário político francês. Entre os primeiros a se pronunciar estavam antigos aliados e adversários, que reconheceram o peso de sua trajetória e a marca deixada na vida pública.

Pierre Moscovici, ex-ministro da Economia e hoje uma das vozes mais influentes da centro-esquerda, afirmou que Jospin "encarnava uma esquerda autêntica que conhecia o real", destacando sua capacidade de combinar convicção ideológica com pragmatismo governamental.

O presidente Emmanuel Macron prestou homenagem ao ex-primeiro-ministro socialista, a quem se referiu como "uma grande figura francesa" movida por um "ideal de progresso".  Em uma mensagem no X, Macron disse que "com seu rigor, sua coragem e seu ideal de progresso", Jospin "personificou uma visão nobre da República".

Outra reação de peso veio de Jean-Luc Mélenchon, líder do partido A França Insubmissa (LFI). Antes de seguir seu próprio caminho político, Mélenchon atuou como ministro no governo Jospin e foi um dos primeiros a manifestar publicamente sua tristeza. Ele prestou homenagem ao ex-primeiro-ministro, reconhecendo na plataforma X "um modelo de exigência e de trabalho", destacando o papel decisivo de Jospin para a esquerda francesa e lembrando os anos em que dividiram o mesmo campo político.

Olivier Faure, primeiro-secretário do Partido Socialista, também prestou homenagem à memória de um político que foi uma "inspiração" e que "levou a esquerda plural ao poder".

A morte de Jospin ganhou destaque imediato na imprensa francesa e internacional. A cobertura ressaltou não apenas sua longevidade política, mas também os momentos decisivos de sua carreira. Dos bastidores do governo aos debates públicos, Jospin era conhecido pelo rigor, pela discrição e por uma ética de trabalho que impressionava até seus adversários. Nas redes sociais e nos pronunciamentos oficiais, suas qualidades humanas e políticas foram lembradas: a seriedade, a integridade e a dedicação com que conduziu sua vida pública.

Com RFI e agências

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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