Extrema direita avança sobre trabalhistas em eleições locais na Grã-Bretanha e ameaça cargo de Starmer
Os resultados preliminares das eleições locais ocorridas nesta quinta-feira (7) na Grã-Bretanha indicam um avanço considerável do partido de extrema direita Reform, do líder Nigel Farage, em redutos tradicionalmente da esquerda trabalhista, como o norte da Inglaterra. Pela contagem parcial dos votos durante a madrugada e nesta manhã, o Reform UK se mostra muito à frente do Partido Trabalhista, do primeiro-ministro britânico Keir Starmer.
Yula Rocha, correspondente da RFI em Londres, e AFP
Há uma tendência clara de que os britânicos estão migrando para novos partidos. Na outra ponta do espectro político, o Partido Verde, mais liberal, deve comemorar assentos importantes, principalmente na capital Londres, com os jovens dizendo não ao status quo. Áreas predominantemente muçulmanas também devem indicar sua escolha para a legenda, um voto de protesto à posição do governo de Starmer sobre a guerra em Gaza.
Os Verdes expandiram sua pauta política para muito além da questão climática, mostrando-se como um partido verdadeiramente da esquerda, preocupado com distribuição de renda, estatização de serviços públicos e pró-imigrantes.
As eleições locais deveriam definir apenas quem controla os serviços essenciais das cidades, como coleta de lixo, bibliotecas, parques e serviços sociais. Mas, com um país fragmentado nacionalmente, o que acontece no Reino Unido e no mundo está influenciando a decisão do dia a dia do eleitor.
Isso sem contar com os votos da população do País de Gales e da Escócia, que está escolhendo seus representantes dos dois parlamentos locais, e as projeções por lá são catastróficas para os trabalhistas. O resultado, se confirmado, pode custar o cargo do primeiro-ministro britânico Keir Starmer, que está sob imensa pressão interna.
A derrota nas urnas é moralmente humilhante para o atual governo e indica a insatisfação geral do eleitor, que há menos de dois anos deu uma vitória histórica aos trabalhistas.
Popularidade em queda
A popularidade de Keir Starmer despencou após uma série de erros, mudanças de rumo e controvérsias, gerando especulações internas sobre sua substituição em Downing Street.
A imigração também é uma grande fonte de descontentamento para muitos britânicos, já que o número de imigrantes que chegam pelo Canal da Mancha desde 2018 está se aproximando de 200 mil.
Isso vem se refletindo nas urnas nestas eleições locais. Os resultados, ainda parciais, dizem respeito apenas à Inglaterra, já que a contagem de votos está apenas começando no País de Gales e na Escócia.
Às 8h (3h de Brasília), apenas 40 das 136 autoridades locais na Inglaterra haviam divulgado seus resultados. Os números mostraram o partido Reform UK, de Nigel Farage, muito à frente, com mais de 350 cadeiras conquistadas em conselhos locais, em comparação com 249 para o Partido Trabalhista, de Keir Starmer, representando uma perda de 245 cadeiras nessas autoridades locais, de acordo com a contagem da BBC.
O Reform UK obteve ganhos significativos, principalmente em vários redutos trabalhistas no norte da Inglaterra e nas Midlands (região central da Inglaterra).
No total, mais de 5 mil cadeiras locais estavam em disputa na Inglaterra nesta eleição, de um total de mais de 16 mil. Uma derrota do Partido Trabalhista e uma ascensão do Partido Reformista eram amplamente previstas pelas pesquisas.
Panorama no País de Gales e na Escócia
Para o Partido Trabalhista, os resultados esperados esta tarde podem ser ainda mais dolorosos, com a possível perda de seu reduto no País de Gales - algo inédito desde a criação do Parlamento galês em 1999.
O partido nacionalista de esquerda Plaid Cymru está ligeiramente à frente do Reform UK por lá, de acordo com uma pesquisa publicada antes da votação.
Na Escócia, o Partido Trabalhista também teme uma derrota pesada que o deixaria atrás do Reform. No entanto, espera-se que o Parlamento Escocês permaneça nas mãos do SNP, pró-independência, que está no poder há 19 anos, de acordo com as pesquisas.
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