Ucrânia: polícia aponta "conexão russa" após prisão de suspeito de assassinato de ex-presidente do Parlamento
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou nesta segunda-feira (1º) a prisão do principal suspeito pelo assassinato do ex-presidente do Parlamento, Andriy Parubiy, ocorrido no sábado (30), em Lviv, no oeste do país. A polícia ucraniana aponta uma possível "conexão russa" no caso.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou nesta segunda-feira (1º) a prisão do principal suspeito pelo assassinato do ex-presidente do Parlamento, Andriy Parubiy, ocorrido no sábado (30), em Lviv, no oeste do país. A polícia ucraniana aponta uma possível "conexão russa" no caso.
O suspeito foi detido na região de Khmelnytskyi, localizada entre Lviv e Kiev, após uma operação que mobilizou "dezenas" de agentes de segurança, segundo o ministro do Interior, Ihor Klymenko. Ele destacou que o crime foi "cuidadosamente planejado".
"Há uma conexão russa neste caso", afirmou o chefe da polícia nacional, Ivan Vygivsky, sem fornecer mais detalhes.
Ao longo de mais de três anos de guerra, ucranianos e russos têm trocado acusações mútuas de assassinatos, especialmente de figuras políticas e militares. De acordo com Vygivsky, o autor do crime, disfarçado de entregador, disparou oito vezes contra Parubiy e "certificou-se de que a vítima estava realmente morta" antes de fugir.
No sábado, a emissora pública Suspilne informou que o atirador usava roupas de entregador e conduzia uma bicicleta elétrica, citando fontes anônimas.
A polícia divulgou imagens da prisão nesta segunda-feira, mostrando o suspeito algemado, escoltado por agentes de segurança, entre eles dois policiais fortemente armados e encapuzados.
Andriy Parubiy, de 54 anos, presidiu o Parlamento ucraniano entre 2016 e 2019.
Acusações contra a Rússia
O chefe da inteligência militar da Ucrânia, Kyrylo Budanov, também responsabilizou a Rússia pelo assassinato, embora sem apresentar evidências concretas.
Parubiy era amplamente conhecido por seu papel nos principais movimentos pró-europeus do país, como a "Revolução Laranja" de 2004 e a Revolução de Maidan, em 2014.
Durante os protestos de Maidan, reprimidos com violência, Parubiy atuou como "comandante" dos grupos de autodefesa. O movimento culminou na fuga do então presidente pró-Rússia, Viktor Yanukovych, para Moscou.
Até sua morte, Parubiy ainda ocupava uma cadeira no Parlamento e mantinha proximidade com o ex-presidente Petro Poroshenko, opositor do atual governo.
Alvo das autoridades russas
Parubiy figurava na lista de procurados pelas autoridades russas, que inclui milhares de nomes — entre eles diversas autoridades ucranianas, além de figuras russas e ocidentais. Em 2014, ele sobreviveu a uma tentativa de assassinato com uma granada de combate, segundo a imprensa local.
O anúncio de sua morte gerou uma onda de homenagens por parte de autoridades ucranianas.
A primeira-ministra Yulia Svyrydenko descreveu Parubiy como "um patriota" que "contribuiu significativamente para a construção do nosso Estado".
Mustafa Nayem, outro líder da Revolução de Maidan, destacou o "humanismo" de Parubiy e sua dedicação a "causas importantes".
Já o ex-presidente Petro Poroshenko classificou o assassinato como "um tiro no coração da Ucrânia", denunciando-o como "um ato de terror".
(Com AFP)