Roubo milionário no Louvre poderia ter sido evitado, aponta relatório de segurança ignorado pela direção
As quatro pessoas detidas na terça-feira (25) permanecem sob custódia da polícia francesa nesta quarta-feira (26), no âmbito da investigação do roubo ao Louvre, informou a Procuradoria de Paris. A direção do maior museu do mundo é criticada por ter ignorado, por oito anos, um relatório de segurança que já apontava a rota percorrida pelos ladrões.
Segundo o documento, publicado em 2018, a cena do assalto ao Louvre, ocorrido em 19 de outubro, já havia sido considerada. A varanda por onde os criminosos entraram e saíram era identificada como "um dos maiores pontos de vulnerabilidade da instituição", destaca o jornal Le Monde, que publicou a informação acompanhada de um infográfico mostrando o local. A informação vazou para a imprensa francesa na terça-feira.
Em 2018, uma auditoria de segurança mencionou especificamente a varanda usada pelos ladrões e chegou a sugerir o uso de um elevador de carga. Este estudo foi encomendado por Jean-Luc Martinez, então diretor do Louvre.
O museu havia encomendado essa investigação a especialistas altamente qualificados: o departamento de segurança da renomada joalheria Van Cleef & Arpels, localizada na Place Vendôme, distrito joalheiro próximo ao Louvre.
A auditoria realizada no museu à época também observou que as câmeras de vigilância próximas à varanda não cobriam completamente a área vulnerável.
Os ladrões levaram nove peças da coleção de joias do imperador Napoleão e de sua esposa, entre elas um colar, um broche e uma tiara. Bens nacionais de valor inestimável.
Investigações
Na terça-feira, a procuradora de Paris, Laure Beccuau, anunciou a prisão de mais quatro pessoas: dois homens, de 38 e 39 anos, e duas mulheres, de 31 e 40 anos, todos da região de Paris.
Essas pessoas "não têm acesso ao processo, razão pela qual não farei mais comentários sobre as acusações contra elas", acrescentou a magistrada em comunicado.
Um dos detidos é suspeito de ser o quarto membro do grupo criminoso, disse à AFP uma fonte próxima à investigação, confirmando uma reportagem do jornal Le Parisien.
Joias permanecem desaparecidas
Apesar dos consideráveis recursos mobilizados desde o início da investigação, as joias roubadas em 19 de outubro — tesouros nacionais do século XIX — ainda não foram recuperadas.
Até o momento, investigadores da Unidade de Crime Organizado (BRB) da Polícia Judiciária de Paris e do Escritório Central de Combate ao Tráfico de Bens Culturais (OCBC) conseguiram prender suspeitos de integrarem a quadrilha em duas operações distintas. No entanto, ainda não detiveram o(s) mentor(es) do crime.
Com AFP