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Legado do Papa Francisco segue vivo nas favelas de Buenos Aires

16 mar 2013
06h07
atualizado às 06h18
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O exemplo de humildade, dedicação e proximidade com os mais necessitados do Papa Francisco segue mais vivo do que nunca nas favelas da periferia de Buenos Aires, os locais mais pobres da capital argentina que o cardeal Jorge Bergoglio costumava visitar várias vezes por ano. O espírito evangelizador de Bergoglio está presente em cada um dos cantos do centro Padre Carlos Mugica, na Vila 31, aonde o pontífice ia para ouvir, consolar e ajudar os excluídos pela sociedade.

<p>Novo Papa Francisco celebrou sua primeira missa como pontífice na última quinta-feira, na Capela Sistina</p>
Novo Papa Francisco celebrou sua primeira missa como pontífice na última quinta-feira, na Capela Sistina
Foto: AP

"O papa esteve e está muito presente neste bairro, mas também nos demais e em todos os lugares mais escondidos e marginalizdos da cidade de Buenos Aires", explicou nesta sexta-feira em entrevista o padre Eduardo Drabble, vigário da paróquia Cristo Operário, à qual pertence o centro.

O sacerdote lembrou que o papa Francisco ia às prisões e aos hospitais, lugares em que "ninguém quer estar, porque ninguém gosta de estar ao lado das drogas, dos meninos que as consomem ou vendo as pessoas morrerem". Por isso, disse ele, é uma pessoa "que não só nos deu exemplos de humildade e austeridade, que é o que o caracteriza, mas também de ir sempre além, de ir a um lugar aonde ninguém vai e estar com quem mais precisa".

"Ele veio, viu, nos motivou, nos entusiasmou o coração", ressaltou Drabble, que lembrou que há cinco anos o já arcebispo Bergoglio lavou os pés dos primeiros meninos de outro centro situado na Vila 21. "Ele foi o primeiro, e a partir daí as sementes seguiram dando frutos", assinalou.

O legado do papa Francisco nos bairros mais humildes é tão forte que quando se soube que ele fora eleito o sucessor de Bento XVI, a Vila 31 explodiu em festa. "Não podíamos acreditar, ninguém esperava. Os moradores do bairro festejavam, saíam às ruas, gritavam como quando vão ver um jogo do River Plate. Atiravam foguetes", contou Drabble.

"Lembro que as pessoas vinham com as fotos que tinham com ele e me diziam: 'este é o papa, eu conheci o papa. Ele tomou mate na minha casa, a abençoou. Ele me deu a comunhão'. Era uma alegria que nascia de dentro", disse.

"Na quarta-feira, o mundo mudou, girou. Após séculos e séculos de papas europeus, de repente, a Igreja se abre a um papa latino-americano, e ainda por cima argentino. É uma virada impressionante, um novo caminho que procura o homem", avaliou.

"Parece que hoje a Igreja diz: 'bom, venham à capela, à paróquia'. Isso é precisamente o que Francisco nos ensinou: saiam dos edifícios para as ruas, vão, busquem, saiam para pescar". Drabble assegurou que o novo papa "foi, é e será um grande mestre".

Após comemorar a eleição do seu mentor como líder da Igreja Católica, os moradores da Vila 31 sairão às ruas de Buenos Aires para celebrar com os demais fiéis a inauguração do pontificado de Francisco.

Na segunda-feira, se somarão à "Vigília dos jovens para todos os povos de Deus", convocada para os arredores da catedral da capital argentina, que deve receber milhares de pessoas. A vigília se estenderá até o início da missa de inauguração do pontificado de Francisco, que acontecerá um dia depois.

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EFE   
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