Jesuíta: uma companhia de grande vocação missionária, cultural e científica
O papa Francisco é o primeiro papa pertencente à Companhia de Jesus, ordem religiosa masculina pertencente à Igreja Católica Romana com vocação missionária e pedagógica cultural e científica.
A ordem foi fundada em 1539 em Roma (Itália) por Inácio de Loyola, um ex-soldado de família nobre basca que encontrou a fé após ser ferido durante uma batalha em Pamplona, em 1521, e aprovada pela Santa Sé em 1540, por causa da bula do papa Paulo III "Regimini Militantes Ecclesiae".
Tempo depois, olhando para sua juventude, Inácio disse de si mesmo: "Fui um homem dedicado à vaidade do mundo, para quem o maior prazer eram as artes marciais, com o vão desejo de adquirir celebridade".
Os jesuítas têm uma estrutura de tipo quase militar (obediência absoluta), uma missão clara (a maior glória de Deus) e uma total despreocupação com os sucessos mundanos.
Com o lema latino "Ad maiorem Dei gloriam" (À maior glória de Deus), a ordem jesuíta se propõe a divulgar a fé católica através das missões, o apostolado, o ensino e a ciência.
Segundo suas normas, trabalham pela evangelização do mundo em defesa da fé e a promoção da justiça em permanente diálogo cultural e inter-religioso, e o motor da companhia é se aprofundar nos estudos humanísticos e científicos para entregá-los nas escolas e colégios que foram sendo abertos na Europa.
Desde seu início, os jesuítas dirigiram os centros de educação superior mais importantes da Europa, entre eles o prestigiado Colégio Romano, e prestaram serviços em países onde a religião católica era perseguida ou proibida.
Especialmente importante foi o trabalho empreendido por São Francisco Xavier em sua tarefa missionária de conversão em Índia, Japão e China.
A Companhia de Jesus teve um papel decisivo durante a contrarreforma, a reação da Igreja à reforma do protestante Lutero, e relevante foi seu papel no transcurso do Concílio de Trento, entre 1545 e 1563, no qual destacou a participação dos teólogos jesuítas Salmerón e Laínez.
Quando da morte de seu fundador, em 1556, a Companhia já tinha se estendido por todo o mundo a serviço da Igreja e do papa.
Os jesuítas, além dos três votos dos religiosos - pobreza, castidade e obediência -, professam um quarto, o de obediência ao papa, ao qual se unem assim de uma forma especial.
Ao longo dos mais de 400 anos de história, a Companhia de Jesus sofreu desconfianças sobre algumas de suas atividades, como por exemplo as missões nas Reduções do Paraguai, espécie de comunidades agrícolas que os jesuítas desenvolveram com os índios guaranis nos séculos XVII e XVIII.
Os jesuítas tiveram problemas com a Inquisição; foram expulsos de Portugal (1559), da França (1764) e de todos os domínios de Carlos III, rei da Espanha, em 1767.
Em 1773, a Companhia de Jesus foi suprimida por um édito promulgado pelo papa Clemente XIV e restituída no mundo todo em 1814 pelo papa Pio VII.
Presente em 127 países, a Companhia de Jesus está dividida em 91 províncias, agrupadas por sua vez em dez "Assistências", das quais a mais numerosa é a da Ásia Meridional, com 4.081 jesuítas, 20,9% do total, segundo dados da Companhia de 2007.
No total, a Companhia é integrada por 19.126 jesuítas, segundo o último censo de 2007, e por isso é a ordem religiosa masculina da Igreja Católica com o maior número de membros.