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Igreja anulará casamento que houver 'dependência obsessiva' de pais por cônjuge

A dependência causaria a anulação do casamento quando um dos dois cônjuges tiver de consultar seu pai ou sua mãe a cada decisão a ser tomada pelo casal

16 fev 2014
11h56
atualizado às 12h52
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A dependência obsessiva de pai ou da mãe por parte de um dos dois cônjuges pode ser considerada uma causa válida para que a Igreja Católica anule um casamento.

<p>A dependência obsessiva de pai ou da mãe por parte de um dos dois cônjuges pode ser considerada uma causa válida para que a Igreja Católica</p>
A dependência obsessiva de pai ou da mãe por parte de um dos dois cônjuges pode ser considerada uma causa válida para que a Igreja Católica
Foto: Alessandro Bianchi / Reuters

A notícia ocupa  grande espaço na imprensa italiana neste domingo, um dia depois de o vigário judicial da diocese de Ligúria, Paolo Rigon, ter explicado o caso durante a abertura do ano judicial eclesiástico desta região do noroeste da Itália.

Segundo Rigon, as pessoas afetadas por esta dependência não seriam capazes de cumprir com os deveres conjugais. "Há casos nos quais se está tão apegado à mãe que não se pode ter vida comum com o companheiro", disse  o cardeal jurista Velasio de Parolis, membro do Tribunal Supremo da Signatura Apostólica, ao jornal La Stampa. 

Ontem, em seu pronunciamento, Rigon explicou que a dependência causaria a anulação do casamento quando um dos dois cônjuges tiver de consultar seu pai ou sua mãe a cada decisão a ser tomada pelo casal. Segundo o cardeal, tal nível de dependência traz um papel de "substituto" ao marido ou esposa, sendo psicologicamente o pai ou a mãe o verdadeiro cônjuge. 

A imprensa italiana resumiu a nova regra da Igreja: "É como ter se casado com a sogra". 

Rigon citou algumas situações concretas com que se deparou pessoalmente. Segundo ele, são jovens e adultos casados, psicologicamente imaturos, totalmente despreparados para a vida de casal, continuando a depender dos pais assim como faziam quando eram crianças ou adolescentes.

Os dicionários italianos contam com o verbete 'mammismo', que significa excessivo sentimento protetor da mãe e a consequente subordinação afetiva do filho; Rigon o diferencia da clássica figura na Itália do "mammone", ou seja, das pessoas que precisam de suas mães ou não querem se desapegar delas. Esta dependência seria como uma espécie de droga que "incide gravemente na vida conjugal", acrescentou o cardeal.

O jornal Corriere della Sera publicou a opinião do decano do colégio cardinalício, Angelo Sodano, arcebispo de Gênova, sobre o assunto e ele garantiu que "o casamento deve ser um ato realizado com total liberdade", por isso o "mammismo" pode ser causa de anulação.

EFE   

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