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Papa Francisco

"Efeito Ratzinger" elegeu Bergoglio papa, dizem jornais italianos

15 mar 2013 - 08h58
(atualizado às 09h15)
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Papa Francisco cumprimenta cardeais durante missa na sala Clementina, no Vaticano, seu único compromisso oficial nesta sexta-feira
Papa Francisco cumprimenta cardeais durante missa na sala Clementina, no Vaticano, seu único compromisso oficial nesta sexta-feira
Foto: AP

Os jornais italianos, que tanto especularam sobre os rumos e possíveis favoritos do Conclave que elegeu o argentino Mario Jorge Bergoglio - sem conseguir acertar suas previsões - começaram a apresentar, nesta sexta-feira, algumas explicações para o surpreedente resultado.

Um dos principais vaticanistas do jornal La Stampa, Andrea Tornielli, relata que Bergoglio evitava a Cúria Romana, a máquina administrativa da Igreja, que vinha a Roma "o mínimo necessário" e que não tinha participado, nas duas semanas antes do início do Conclave, de qualquer reunião para discutir sua eventual candidatura. "Como pôde acontecer, então", pergunta o especialista, "de ele receber, em apenas cinco votações, bem mais dos que os 77 necessários para ser eleito?".

O artigo diz que o fato de Bergoglio ter sido o principal rival de Joseph Ratzinger no Conclave de 2005, segundo o diário de um cardeal vazado para a imprensa na época, deve ter ter sido mais uma desvantagem do que uma ajuda.

Mas, desde então, a "autoridade" do arcebispo de Buenos Aires só aumentou, "por exemplo, durante os trabalhos da reunião do CELAM de Aparecida do Norte (Quinta Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, em 2007) e durante o Sínodo dos Bispos (em 2012, no Vaticano)".

Papa tropeça e quase cai durante missa para cardeais:

Participação 'sincera'

A curta e "sincera" intervenção de Bergoglio na Congregação do Colégio dos Cardeais, uma semana antes do Conclave, em que "falou sobre o rosto da misericórdia de Deus", teria "particularmente impressionado os cardeais".

E, no momento em que a mídia focava seus holofotes sobre o italiano Angelo Scola, o canadense Marc Ouellet e o brasileiro Odilo Scherer, vários cardeias de diferentes continentes, como África e Ásia e mesmo alguns ligados à Cúria italiana, "já tinham decidido votar nele". O nome de Bergoglio já teria aparecido com consistência na primeira votação, na terça-feira.

A partir daí, quando se viu que o nome de Angelo Scola, o candidato que vinha sendo apontado como favorito pela mídia principal, não apresentava "a consistência esperada", Bergoglio foi beneficiado pelo que o jornalista chama de "efeito Ratzinger".

A exemplo do que ocorrera no conclave de 2005, a cada rodada, o cardeal argentino foi levando os votos daqueles que viam que seu candidato estava fora do páreo. "Ele levou os votos que estavam indo para Ouellet, Scherer e, finalmente, Scola", diz o artigo.

Em outro jornal, o Corriere della Serra, a vaticanista Antonietta Calabrò diz que, na quinta e derradeira rodada do Conclave, Bergoglio teria levado "mais de 90" dos 115 votos. Ela diz que a escolha de Bergoglio seria resultado de um acordo entre os homens da Cúria, citando, especificamente, o decano do Colégio dos Cardeais, Angelo Sodano (que não participou do Conclave) e os cardeais Giovanni Battista Re e Tarcisio Bertone, e os cardeais americanos, para que estes tivessem, "finalmente, o papa das Américas".

O artigo diz que Bertone, o poderoso camerlengo (o responsável em administrar os bens da Igreja e incumbido de assumir interinamente o comando da Igreja Católica no caso de abdicação ou morte do papa), teria "retirado o seu apoio a Scherer após críticas dele ao cardeal Re nas Congregações Gerais", dando a entender que o brasileiro não entrou no Conclave como eventual candidato da Cúria.

Foto: Reuters Foto: AP
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