Rebaixamento da nota soberana da França 'é uma responsabilidade política', analisa Federação dos Bancos
Um dia após a agência de classificação de risco Fitch rebaixar em um nível a nota da dívida da França — de "AA-" para "A+" —, o presidente da Federação Francesa dos Bancos, Daniel Baal, declarou neste sábado (13) que a medida "é, antes de tudo, uma responsabilidade política". O executivo também pediu "um orçamento de compromisso" para 2026.
Um dia após a agência de classificação de risco Fitch rebaixar em um nível a nota da dívida da França — de "AA-" para "A+" —, o presidente da Federação Francesa dos Bancos, Daniel Baal, declarou neste sábado (13) que a medida "é, antes de tudo, uma responsabilidade política". O executivo também pediu "um orçamento de compromisso" para 2026.
Com o rebaixamento na sexta-feira (12), a nota da França passou à categoria de qualidade "média-alta", em vez de "alta", o que representa uma má notícia, segundo Baal. "É simplesmente o resultado de políticas, em particular as fiscais, que vêm sendo adotadas há muito tempo neste país e que nos levaram a esta situação extremamente complexa", afirmou em entrevista à France Inter. "Certamente não é uma responsabilidade corporativa", acrescentou, citando a "constante incerteza" decorrente da dissolução da Assembleia Nacional em junho de 2024.
Baal também destacou "a falta de diálogo" entre os líderes políticos e "um verdadeiro mal-estar entre grande parte da população francesa, que sente que não está sendo ouvida, muito menos compreendida".
Para romper o "impasse", ele defendeu o diálogo e a construção de "um orçamento de compromisso".
O rebaixamento da classificação de crédito da França pode resultar em aumento no custo dos empréstimos do país.
O relatório da Fitch encerrou uma semana difícil para o governo do presidente Emmanuel Macron. Na segunda-feira, o primeiro-ministro François Bayrou foi derrotado no Parlamento, sem conseguir apoio para seu plano orçamentário de 2026, que previa a redução do déficit (5,8% do PIB em 2024) e da dívida pública (cerca de 114%).
"O fracasso do governo em uma moção de confiança ilustra a crescente fragmentação e polarização da política interna", afirmou a agência em comunicado.
Macron nomeou rapidamente o conservador Sébastien Lecornu como novo primeiro-ministro, encarregado de aprovar o orçamento para o próximo ano e buscar estabilidade por meio da negociação com as forças políticas.
"Desde as eleições legislativas antecipadas de meados de 2024, a França teve três governos diferentes", observou a Fitch.
A agência cumpre, assim, a advertência feita em março, quando manteve a nota "AA-" com perspectiva negativa, mas alertou que rebaixaria a classificação caso a segunda maior economia da União Europeia não apresentasse um "plano crível" de médio prazo.
Mercados já previam a redução da nota
Apesar do impacto simbólico, o rebaixamento não deve ter consequências imediatas para a França, já que alguns especialistas apontam que o mercado de dívida já refletia a expectativa de uma redução da nota.
"O que realmente importa não é a classificação atribuída pelas agências, mas a trajetória das finanças públicas e a capacidade do Estado de cumprir seus compromissos", destacou Lucile Bembaron, economista da Asterès. "Os mercados já tiraram suas conclusões, enquanto as classificações parecem vir com atraso."
O Instituto Nacional de Estatística (Insee) elevou na quinta-feira sua previsão de crescimento para a França em 2025, de 0,6% para 0,8% do PIB, embora tenha considerado frágeis os motores da economia em meio à crise política.
A agência de classificação S&P Global deve anunciar sua revisão da nota da dívida soberana da França em 28 de novembro.
(Com AFP)