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Protestos perdem força em Paris, mas mantêm pressão sobre governo francês

O novo dia de protestos realizados neste sábado (7) em Paris reuniu, até o momento, menos participantes do que o esperado, mas demonstra que o movimento de contestação ao governo francês continua ativo após seis semanas de manifestações, greves e atos de violência urbana.

7 nov 2026 - 11h48
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Resumo
Apesar da adesão abaixo do esperado, cerca de 7 mil pessoas protestaram em Paris contra o custo de vida e a deterioração social. O ato ocorreu sob forte aparato policial, que mobilizou 70 mil agentes no país e levou ao fechamento preventivo do comércio. Manifestações paralelas foram barradas, mas a pressão popular se mantém: uma greve nacional da educação foi convocada para terça-feira e o primeiro-ministro já marcou negociações com líderes estudantis na tentativa de conter a crise social.

No início da tarde, cerca de 7 mil pessoas participavam do cortejo organizado entre a Praça da República e a Praça da Nação, sob forte aparato policial. A manifestação ocorre apenas dois dias depois de uma grande mobilização nacional que reuniu trabalhadores dos setores público e privado, estudantes e aposentados em diversas cidades francesas.

Novo dia de manifestação na Praça da República, em Paris, em 7 de novembro de 2026.
Novo dia de manifestação na Praça da República, em Paris, em 7 de novembro de 2026.
Foto: © Alice Mesnard/RFI / RFI

A convocação deste sábado foi feita por sindicatos, organizações estudantis e movimentos juvenis, que mantêm a pressão sobre o governo em torno de reivindicações ligadas ao custo de vida, ao poder de compra e à deterioração das condições sociais no país.

Revolta com custo de vida e desigualdade

Entre os manifestantes, predominava a crítica à situação econômica e ao que muitos consideram um distanciamento crescente entre a classe política e a população.

Salim, de 60 anos, ouvido pela RFI durante o protesto, apontou o aumento do custo de vida, a degradação social e o racismo como algumas das principais preocupações que o levaram às ruas. Segundo ele, esses problemas têm se tornado mais visíveis no cotidiano dos franceses.

Já um jovem estudante disse confiar na continuidade da mobilização popular. Apesar de lamentar os episódios de violência policial registrados nas últimas semanas, ele defendeu a importância de manter a participação nos atos para dar visibilidade às reivindicações sociais.

Comerciantes temem prejuízos

A perspectiva de novos confrontos levou muitos comerciantes da capital francesa a adotarem medidas preventivas. Como já havia ocorrido em manifestações anteriores, diversas lojas permaneceram fechadas e protegidas por tapumes.

O temor dos empresários aumentou após os episódios de vandalismo registrados em 17 de outubro, quando diversas vitrines e estabelecimentos foram danificados.

Além dos prejuízos imediatos, comerciantes estão preocupados com o impacto da crise na imagem internacional de Paris e no período de Natal, tradicionalmente um dos mais importantes para o comércio. Segundo representantes do setor, as vendas de fim de ano podem representar cerca de 30% do faturamento anual de muitos estabelecimentos.

Forte esquema de segurança

As autoridades organizaram uma ampla operação para evitar novos incidentes. Até as 14h (10h em Brasília), as forças de segurança haviam realizado aproximadamente 15 mil controles em estações de metrô, rodovias e trens, com o objetivo de impedir a entrada de armas ou objetos potencialmente perigosos nos locais de manifestação.

Na sexta-feira (6), o governo francês anunciou a mobilização de 70 mil policiais e agentes de segurança em todo o território nacional para conter possíveis distúrbios durante os protestos.

A estratégia reflete a preocupação das autoridades após semanas de tensão social e confrontos entre manifestantes e forças de ordem em diferentes cidades do país.

Coletes amarelos seguem caminho próprio

Paralelamente à manifestação estudantil, integrantes do movimento dos "coletes amarelos" convocaram um ato separado na Praça da Concórdia, no centro de Paris.

A concentração, porém, foi proibida pelas autoridades. Mesmo assim, representantes do movimento defenderam a necessidade de se aproximar dos centros de poder para denunciar o que consideram um agravamento da pobreza e da exclusão social na França.

Criado em resposta ao aumento do custo de vida e dos combustíveis, o movimento dos "coletes amarelos" mantém uma linha de atuação independente dos sindicatos tradicionais e continua mobilizando setores da população insatisfeitos com a situação econômica do país.

Participação abaixo das previsões

Na véspera dos protestos, as autoridades estimavam que entre 130 mil e 170 mil pessoas participariam das manifestações em todo o país, sendo até 60 mil apenas em Paris.

Entretanto, à medida que o cortejo avançava pelas ruas da capital, a adesão se mostrava bem inferior às projeções oficiais. Ainda assim, as organizações envolvidas afirmam que o movimento mantém capacidade de pressão sobre o governo.

Educação prepara nova greve

A contestação social deve ganhar novo capítulo na próxima semana. Uma coalizão que reúne sindicatos de professores, estudantes do ensino médio e universitários convocou uma greve nacional para terça-feira (10).

Em comunicado conjunto, as organizações afirmam que o governo começa a demonstrar sinais de fragilidade diante da mobilização e defendem a ampliação do movimento.

"O movimento social está em uma posição de força, enquanto o governo está em uma posição de fraqueza e começa a recuar. É o momento de ampliar a mobilização", afirma o texto divulgado pelas entidades.

Diante da pressão crescente, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou que receberá representantes dos estudantes do ensino médio e universitários na segunda-feira (9), em Paris. A reunião deverá marcar a abertura de uma primeira rodada de negociações sobre as reivindicações que alimentam uma das mais longas ondas de protestos sociais dos últimos anos na França.

Com RFI

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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