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Ataques russos em larga escala atingem sistema elétrico da Ucrânia e deixam milhares sem energia

A Rússia lançou na madrugada deste sábado (7) uma nova ofensiva de grandes proporções contra a infraestrutura energética da Ucrânia, provocando cortes de eletricidade em diversas regiões do país e agravando os temores de um inverno com apagões e dificuldades no abastecimento de serviços essenciais.

7 nov 2026 - 10h47
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Resumo
Uma ofensiva russa com 36 mísseis e 172 drones atingiu a rede elétrica de dez regiões da Ucrânia, deixando milhares sem energia e ao menos nove feridos. Em Kiev, os bombardeios danificaram a estratégica Ponte Norte e afetaram o aquecimento e o abastecimento de água. O presidente Zelensky classificou a ação como pressão militar antes de negociações em Abu Dhabi e pediu mais apoio aos EUA, enquanto a população enfrenta forte exaustão e temores com a chegada do inverno.

Segundo o Ministério da Energia da Ucrânia, os bombardeios atingiram instalações de transmissão e distribuição de energia nas regiões de Dnipropetrovsk, Donetsk, Kiev, Jytomyr e Kharkiv. Os danos causados à rede elétrica deixaram consumidores sem fornecimento de energia, embora o governo não tenha divulgado o número exato de residências afetadas.

Moradores removem os destroços de um veículo em frente a um prédio residencial danificado após um ataque de míssil russo em Kiev, em 7 de novembro de 2026.
Moradores removem os destroços de um veículo em frente a um prédio residencial danificado após um ataque de míssil russo em Kiev, em 7 de novembro de 2026.
Foto: © AFP/Vladyslav Musiienko / RFI

Segundo as autoridades ucranianas, os ataques provocaram estragos significativos em várias instalações energéticas na região da capital. De acordo com o ministério, os danos comprometem de forma considerável o abastecimento de eletricidade em Kiev e nos arredores.

Equipes de emergência e trabalhadores do setor elétrico foram mobilizados para restaurar os serviços. No entanto, os reparos são dificultados pelos sucessivos alertas de ataque aéreo que continuam soando em diferentes partes do país.

Mísseis e drones

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, informou que a ofensiva russa envolveu o lançamento de 36 mísseis balísticos e 172 drones. Segundo o chefe de Estado, ao menos nove pessoas ficaram feridas, entre elas uma criança.

Os ataques atingiram aproximadamente dez regiões ucranianas e tiveram como alvo principal o sistema energético nacional, considerado estratégico para a manutenção de serviços básicos durante os meses mais frios do ano.

Para Zelensky, a nova onda de bombardeios representa uma tentativa de pressão política e militar às vésperas de uma reunião prevista para os dias 10 e 11 de novembro, em Abu Dhabi, entre representantes da Ucrânia, dos Estados Unidos e da Rússia. O encontro tem como objetivo discutir possibilidades para a retomada de negociações diplomáticas.

O presidente também voltou a pedir maior apoio de Washington. "Esperamos que o Congresso americano dedique uma atenção ainda maior à Ucrânia, porque a Rússia continua intensificando seus ataques", declarou.

Ponte estratégica de Kiev foi atingida

Na capital ucraniana, os danos foram além do sistema elétrico. O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, informou que uma importante ponte rodoviária sobre o rio Dnieper foi atingida durante os ataques.

Trata-se da Ponte Norte, uma das principais ligações viárias da cidade. O impacto obrigou as autoridades a interromperem o trânsito no local.

Segundo Klitschko, a situação energética da capital é "extremamente difícil" e afeta diretamente o funcionamento dos sistemas de aquecimento e abastecimento de água.

A estrutura já havia sido alvo de um ataque em outubro. Após aquele episódio, a prefeitura instalou redes de proteção contra drones, uma medida inédita em Kiev desde o início da invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022.

Moradores relatam exaustão

Os novos bombardeios reforçam as preocupações do governo ucraniano em relação ao inverno que se aproxima no hemisfério norte. Desde o início do conflito, a Rússia tem direcionado ataques frequentes contra usinas, subestações elétricas e redes de distribuição de energia, buscando enfraquecer a infraestrutura civil do país.

Os danos acumulados ao longo dos últimos meses já provocaram interrupções recorrentes no fornecimento de eletricidade, aquecimento e água em diversas cidades.

Em Kiev, o cotidiano da população tem sido marcado pela insegurança e pelas falhas constantes nos serviços básicos.

"Não temos luz nem aquecimento de forma regular. É realmente deprimente", relatou a moradora Iryna, expressando um sentimento compartilhado por muitos habitantes da capital.

Outros moradores demonstram resignação diante da situação. É o caso de Oleksandr, que viveu anteriormente em Mariupol, cidade devastada pela guerra.

"Ficamos sem luz durante grande parte do tempo e a água quente também é irregular. Mas, depois do que vivi em Mariupol, isso se tornou apenas mais uma dificuldade da rotina", afirmou.

Críticas à gestão da capital

A crise também alimenta divergências políticas dentro da própria Ucrânia. Nas últimas semanas, o prefeito Vitali Klitschko passou a ser alvo de críticas sobre a preparação da capital para enfrentar os ataques russos.

O próprio presidente Zelensky declarou recentemente que Kiev é uma das cidades menos preparadas do país para lidar com a ofensiva contra a infraestrutura energética, sugerindo que a administração municipal poderia ter adotado medidas mais eficazes para proteger os serviços essenciais.

Enquanto as autoridades correm para reparar os danos mais recentes, milhões de ucranianos se preparam para enfrentar mais um inverno sob a ameaça de novos ataques, cortes de energia e dificuldades no acesso a serviços básicos.

Com RFI e AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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