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Protestos e violência em Paris ameaçam recuperação do turismo na França, principal destino mundial

A França é o principal destino turístico mundial, à frente da Espanha, com mais de 100 milhões de visitantes internacionais em 2025. Cenas de saques e depredações durante a jornada de mobilização de 17 de outubro prejudicaram a imagem da França no exterior, e o setor turístico teme as consequências para a atratividade do país como destino.

21 out 2026 - 14h48
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Resumo
A recente onda de protestos e violência em cidades como Paris e Lyon ameaça a recuperação do turismo na França, provocando cancelamentos e desacelerando as reservas de hotéis, sobretudo no setor de alto padrão. Países como a China já emitiram alertas de segurança a viajantes. Embora o setor demonstre histórico de resiliência a crises anteriores, especialistas alertam que a persistência dos distúrbios e a repercussão negativa no exterior podem causar impactos catastróficos a longo prazo.

"Francamente, não tínhamos certeza de que nossa viagem seria mantida", diz um executivo indiano em viagem de negócios, encontrado pela AFP nesta semana em um hotel parisiense.

Uma pessoa grava um vídeo dos vidros danificados da loja Lacoste na avenida Champs-Élysées, um dia após confrontos durante uma jornada nacional de manifestações contra as condições de ensino, o custo de vida e o aumento dos preços dos combustíveis, em Paris, França, em 18 de outubro de 2026.
Uma pessoa grava um vídeo dos vidros danificados da loja Lacoste na avenida Champs-Élysées, um dia após confrontos durante uma jornada nacional de manifestações contra as condições de ensino, o custo de vida e o aumento dos preços dos combustíveis, em Paris, França, em 18 de outubro de 2026.
Foto: REUTERS - Stephanie Lecocq / RFI

"Essa escalada da violência em plena cidade, em Nice, Paris e Lyon, é catastrófica", avalia Christelle Chassagne, presidente da ADN Tourisme, que reúne os organismos institucionais de turismo.

"Quando você reserva (...) uma semana em um hotel, não é para ficar trancado dentro dele", acrescenta, prevendo cancelamentos.

Isso já está acontecendo "nos meios de hospedagem turística, especialmente nas cidades, em Paris, Lyon e Marselha", afirma Didier Arino, diretor-geral da consultoria Protourisme.

Paris vinha de um período favorável para o turismo de negócios e de eventos, impulsionado, entre outros fatores, pelos shows da cantora Céline Dion, pela visita do papa, pelo Salão do Automóvel de Paris e pelo Salão Internacional da Alimentação (Sial).

Mas, segundo a consultoria MKG Consulting, desde a mobilização de 17 de outubro, os hotéis parisienses praticamente perderam a vantagem que tinham nas reservas em relação a 2025 para as seis semanas seguintes.

"Em um único dia, entre segunda-feira, 19, e terça-feira, 20, a proporção de quartos já reservados para estadias de 20 de outubro a 29 de novembro passou de +1,0 para +0,2 ponto em relação a 2025."

Novos episódios? 

Para a semana de 20 a 25 de outubro, a vantagem de Paris em relação a 2025 era de apenas 1,9 ponto na terça-feira, contra 3,5 pontos no dia anterior, segundo a consultoria.

"Essa desaceleração é particularmente acentuada nas estadias próximas e no segmento de alto padrão, lembrando a situação de dezembro de 2018, quando o movimento dos 'coletes amarelos' freou as reservas em Paris", afirma a consultoria.

Na época, a ocupação dos hotéis caiu 1,2% em um ano na França metropolitana. A queda foi mais acentuada na região parisiense (-3%) e ainda maior em Paris (-5,6%).

Países que são grandes emissores de turistas, como a China, já recomendaram a seus cidadãos que viajam para a França reforçar as medidas de segurança.

"Quanto mais distantes são os mercados emissores, mais sensíveis eles são aos riscos de segurança e maior é o impacto", explica Didier Arino. O prejuízo potencial é ainda maior porque esses turistas gastam, em média, mais do que os turistas europeus durante sua estadia.

Na realidade, tudo dependerá da ocorrência de novos episódios de violência nas próximas semanas, afirmam os especialistas ouvidos pela AFP.

"O impacto de um dia de distúrbios e violência urbana no coração de Paris é gerar cancelamentos equivalentes a 1% do número mensal de pernoites nos dias seguintes e outros tantos nas semanas seguintes", explica Didier Arino.

"Para mais de 42 milhões de noites de hotel previstas para 2026 em Paris, isso não é considerável. Mas é preciso ter cuidado para não subestimar o impacto se os incidentes se repetirem", alerta o especialista.

Consequências podem ser "catastróficas"

"Quando vemos a CNN, a Fox News, a BBC, tudo isso, temos a impressão de que a França está em guerra. Isso não é bom", afirma Laurent Abitbol, presidente do conselho de administração das agências de viagens Selectour.

"Se isso durar apenas 15 dias, não será grave", afirma, contudo, destacando a resiliência do setor. "Por outro lado, se continuar durante alguns meses, será catastrófico."

O risco seria "algo que se enraíze e continue a produzir imagens desse tipo, especialmente no exterior", acrescenta Vanguélis Panayotis, da consultoria MKG Consulting.

"Agora, mesmo depois do Bataclan", casa de show alvo de um atentado islamista mortal em 2015, "mesmo depois dos coletes amarelos, Paris bateu recordes em 2024, 2025 e talvez até em 2026. É preciso, ainda assim, destacar a extrema resiliência" do turismo, afirma.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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