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Protestos contra custo de vida e pela educação continuam a mobilizar estudantes e trabalhadores na Europa

Protestos contra o aumento do custo de vida e a precarização da educação continuam mobilizando estudantes e trabalhadores em diferentes países da Europa. Neste sábado (31), estão previstos atos na Alemanha e na França, onde o governo vem endurecendo a postura contra os manifestantes. Na Itália, milhares de pessoas foram às ruas em mais de 50 cidades.

30 out 2026 - 14h31
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Resumo
Mobilizações contra o alto custo de vida e por mais verbas para a educação avançam pela Europa. Na Alemanha, o grupo jovem Gen Z regelt lidera atos em cerca de 30 cidades sob temores de violência e divisões estudantis. Na Itália, estudantes e trabalhadores tomaram as ruas de mais de 50 cidades em greves contra o governo de Giorgia Meloni. A França também mobiliza forte aparato de segurança, evidenciando a crescente tensão social e a preocupação das autoridades com distúrbios violentos na região.

Na Alemanha, as manifestações deste sábado devem acontecer em cerca de 30 cidades. Há dias, a imprensa local e a classe política vêm debatendo a dimensão dessa mobilização. No país, os atos recentes vêm sendo encabeçados por um grupo chamado Gen Z regelt, algo como "a Geração Z assume o controle", que está organizando ou apoiando manifestações em dezenas de cidades alemãs.

Na pauta, estão reivindicações em diferentes áreas que apontam para uma insatisfação atual de parte da sociedade, sobretudo entre os jovens. Os organizadores exigem mais recursos para as escolas de ensino médio, denunciam a perda de poder aquisitivo, rejeitam o serviço militar obrigatório e lutam pelo clima.

No entanto, duas federações estudantis alemãs, que representam mais de 7 milhões de pessoas, se distanciaram das manifestações de 31 de outubro. Uma delas, a Conferência Federal de Estudantes (Bundesschülerkonferenz), anunciou que organizará sua própria mobilização em 20 de novembro. "Apoiamos os apelos por um maior investimento na educação. Mas nos distanciamos dos protestos devido à falta de transparência", explica em comunicado sua secretária-geral , Amy Kirchhoff.

"Também não é garantido aos participantes que essas manifestações ocorrerão sem violência. Nós nos distanciamos dos organizadores, ao mesmo tempo que apoiamos as reivindicações legítimas do manifestantes", esclarece.

Ao que parece, não há organizações tradicionais por trás desse projeto. No entanto, o site do Gen Z regelt, que tem um esquilo como logotipo, apresenta detalhes sobre os atos e as regras a serem seguidas. Pouco mais de 160 mil pessoas se cadastraram no site da organização para confirmar sua participação.

Temor por atos de violência

Entre diferentes níveis da esfera pública, a principal preocupação é o risco de que esses protestos sejam marcados por episódios de violência. Os organizadores condenam qualquer desvio para atos desta natureza, contudo, em alguns grupos no Telegram ligados às mobilizações, há publicações com um tom menos pacífico.

No cenário político, os conservadores apresentam uma visão bastante negativa. Um deputado democrata-cristão, especialista em questões de segurança, alertou para o risco de que "extremistas de esquerda", instrumentalizem as manifestações. Uma ala da juventude democrata-cristã em Berlin chegou a sugerir que o Exército alemão fosse convocado para reforçar a segurança.

Veículos de imprensa ligados à direita seguem a mesma linha. A revista Cicero, por exemplo, chegou a mencionar o termo "intifada", expressão de origem árabe que significa literalmente "sacudir", mas, no contexto sociopolítico, indica uma "revolta popular".

Por outro lado, representantes do Partido Verde e do partido de esquerda Die Linke criticam declarações que retratam os jovens como criminosos em potencial. A polícia estará mobilizada com mais de mil policiais.

Por outro lado, a violência não é habitual nas manifestações na Alemanha, onde a cultura do protesto é menos vigorosa do que na França. As frustrações dos jovens também existem, mas não atingem o mesmo nível. Isto também se aplica aos jovens de origem estrangeira. Especialistas em movimentos juvenis e de protesto também não esperam movimentos ao estilo francês nestes novos atos.

Um cenário contrastante com o país que vem inspirando esses movimentos recentes. Na França, onde também há protestos marcados para este sábado, cerca de 70 mil policiais serão mobilizados para acompanhar os atos em todo o país.

O número elevado do contingente demonstra a preocupação com atos de violência que marcaram manifestações recentes no território francês.

Greves e protestos na Itália

Manifestantes reunidos em frente ao Coliseu, em Roma, em 25 de outubro de 2026.
Manifestantes reunidos em frente ao Coliseu, em Roma, em 25 de outubro de 2026.
Foto: RFI

Nesta sexta-feira (30), milhares de estudantes e trabalhadores foram às ruas em toda a Itália para exigir mais verbas para a educação e medidas de alívio diante do aumento vertiginoso do custo de vida, em meio a uma forte presença policial para evitar possíveis confrontos.

Greves e manifestações contra o governo foram registradas em mais de 50 cidades, incluindo Roma e Milão. Os protestos ocorrem após semanas de manifestações lideradas por estudantes, que montaram acampamentos com barracas e ocuparam escolas para dar voz às suas reivindicações.

As mobilizações foram convocadas pela Unione Sindacale di Base (USB), menos expressivo do que as três principais centrais sindicais do país. No entanto, o movimento também conta com a participação de estudantes e associações que se opõem à chamada "economia de guerra" — termo usado para descrever o aumento do custo de vida e a política geral da primeira-ministra Giorgia Meloni.

"Baixem as armas e aumentem os salários", repetem os estudantes, que ameaçam bloquear tudo. Ocorreram pequenos confrontos com a polícia, e cartazes com o rosto de Meloni foram queimados.

O maior receio do governo é a violência presenciada na Itália na semana passada, quando os atos, que começaram de forma pacífica, acabaram, por ação de uma minoria, resultando na destruição de estabelecimentos comerciais e em ataques à polícia com pedras. "Manifestar-se é um direito; destruir cidades, não", afirmou a primeira-ministra.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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