Ponte mais antiga de Paris é 'embalada' por artista JR e transformada em caverna
Intrigados e entusiasmados, parisienses e turistas expressaram, nesta quinta‑feira (21), sua surpresa ao descobrir a Pont Neuf totalmente transformada durante a noite pelo artista JR. Ele está instalando uma "caverna" efêmera no local, que será aberta ao público a partir de 6 de junho.
Sob o sol da manhã, muitos curiosos pararam nas margens do Sena para ver a estrutura inflável de lona, montada durante a noite. Ela cria, em ilusão de ótica, o aspecto rochoso de uma gruta, misturando branco, preto e vários tons de cinza.
A obra tem dimensões impressionantes: 120 metros de comprimento, 20 metros de largura, 2.400 m² de área no solo e entre 12 e 18 metros de altura.
"É realmente espetacular!", exclamou Caroline Masson, parisiense de 45 anos, ao observar a ponte mais antiga da capital.
"É bastante surpreendente. A gente imagina montanhas, os Alpes… É tão contrastante com a arquitetura de Paris", disse Stéphanie da Cruz, outra parisiense de 37 anos.
"Isso muda o cenário, e chama muito a atenção porque aqui só há pedra antiga. Acho genial", entusiasma‑se também Claire Bétille, 35 anos, estudante de arquitetura.
Homenagem a Christo e Jeanne‑Claude
"A Caverna" é uma homenagem ao casal de artistas Christo e Jeanne‑Claude, hoje falecidos, que embrulharam a Pont Neuf em tecido em 1985, atraindo milhões de visitantes.
Para JR, a obra deve "justapor o bruto e o selvagem à elegância refinada de Paris, criando um diálogo entre passado e presente".
Famoso por suas colagens fotográficas gigantes, o artista de 43 anos diz se interessar há muito tempo pelo tema da caverna, que "nos conecta à história da humanidade, em todos os continentes".
"Há também algo de desconhecido, de medo, de entrar numa caverna e, ao mesmo tempo, de fascinação", explicou à AFP o artista.
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JR é acostumado a realizar obras monumentais, como no projeto Inside Out, no qual convidava pessoas do mundo inteiro a enviar seus retratos para serem exibidos em espaços urbanos, ou ainda Women Are Heroes, no qual fotografou moradoras da favela do Morro da Providência, no Rio de Janeiro, e colou retratos gigantes de seus rostos e olhos nas fachadas das casas.
"Como os Alpes em Paris"
De 6 a 28 de junho, curiosos e passantes poderão atravessar a Caverna gratuitamente, a pé, 24 horas por dia, em uma experiência "imersiva" cujo universo sonoro foi criado pelo músico eletrônico Thomas Bangalter, ex‑Daft Punk.
Até lá, serão finalizados o interior da instalação e a organização dos acessos a partir da Île de la Cité e dos cais da margem direita do rio.
Os organizadores esperam muitos visitantes, especialmente turistas estrangeiros, já que a Pont Neuf é uma passagem obrigatória entre o Museu do Louvre e a Catedral de Notre‑Dame.
"Não sou grande fã de arte contemporânea e gosto de Paris como ela é. Mas devo admitir que é fascinante", disse Vince, turista americano de 76 anos, de Nova York. "É um pouco como ter os Alpes em Paris", segundo ele.
Para Peter Stuart, canadense de 61 anos, "a maneira como Paris brinca com a cidade é extraordinária".
Paris, cidade aberta à arte monumental
A capital francesa tem se acostumado a receber projetos de arte contemporânea espetaculares, com instalações que usa a cidade como pano de fundo, como o embrulho do Arco do Triunfo em 2021 (obra póstuma de Christo e Jeanne‑Claude) ou as obras que pontuaram a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2024.
Paris se tornou "uma das cidades mais abertas à arte monumental. É uma cidade viva, onde a história continua a ser escrita", celebrou JR, que já realizou na capital uma gigantesca colagem ao redor da pirâmide do Louvre em 2019 e cobriu a Ópera com outra "caverna" em 2023.
A Caverna é financiada por mecenato privado, sem uso de fundos públicos, segundo a fundação que representa Christo e Jeanne‑Claude e que conduz o projeto.
Com AFP
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