Polícia de Londres investiga ataque a ambulâncias da comunidade judaica como crime de ódio antissemita
Quatro ambulâncias da comunidade judaica em Golders Green, noroeste de Londres, foram incendiadas na noite de domingo (22) para segunda-feira (23), em um ataque que não deixou vítimas, mas causou danos a prédios vizinhos. A polícia antiterrorista investiga três suspeitos e verifica a autenticidade de uma reivindicação online feita por um grupo pró-iraniano até então desconhecido, que circula em canais de milícias xiitas.
A polícia de Londres investiga uma reivindicação sobre o ataque que destruiu quatro ambulâncias da comunidade judaica ao lado de uma sinagoga na noite de domingo para segunda-feira. A unidade antiterrorista foi encarregada da investigação, classificando o episódio como um crime de ódio antissemita, embora não tenha deixado vítimas. Autoridades locais e líderes internacionais condenaram o episódio e reforçaram mensagens de solidariedade à comunidade judaica britânica.
Quatro ambulâncias da Jewish Community Ambulance, associação judaica que administra um serviço voluntário de emergência, foram incendiadas no bairro de Golders Green, no noroeste da cidade, onde vive uma significativa comunidade judaica. Segundo a polícia, os bombeiros foram acionados por volta das 1h45 (hora local) e mobilizaram seis veículos e cerca de 40 pessoas, conseguindo apagar o incêndio por volta das 3h. A explosão das ambulâncias quebrou janelas de um prédio vizinho, levando à evacuação de algumas residências, mas sem registros de feridos. Imagens divulgadas mostram três veículos completamente queimados e um quarto danificado, em um estacionamento ao lado da sinagoga.
O comissário Luke Williams explicou que, embora o incidente ainda não tenha sido oficialmente classificado como terrorista, os investigadores tratam o ataque como um crime de ódio antissemita e buscam três suspeitos. Um vídeo, aparentemente captado por câmeras de segurança e divulgado nas redes sociais, mostra três indivíduos com capuzes entrando no estacionamento e iniciando o fogo antes de fugirem. Um grupo até recentemente desconhecido, chamado Harakat Ashab al-Yamin al-Islamiya, reivindicou o ataque em um canal recém-criado no Telegram.
Pró-Irã?
O grupo é considerado pró-iraniano pelo SITE Intelligence Group, organização de monitoramento de grupos jihadistas, enquanto o International Centre for Counter-Terrorism, centro de pesquisa baseado nos Países Baixos, destacou que a mensagem de reivindicação circulou em contas online de milícias xiitas pró-iranianas. Luke Williams afirmou que verificar a autenticidade dessa reivindicação é uma prioridade para os investigadores, mas que ainda não é possível confirmá-la. O grupo também reivindicou ataques recentes na Bélgica e nos Países Baixos.
Autoridades e membros da comunidade local reagiram com indignação. O primeiro-ministro Keir Starmer qualificou o ataque como "antissemita e profundamente chocante" e recebeu representantes da comunidade judaica em Downing Street. O presidente de Israel, Isaac Herzog, publicou mensagem de solidariedade à comunidade judaica britânica, enquanto o grande rabino do Reino Unido, Ephraim Mirvis, condenou a ação como "particularmente ignóbil".
Moradores de Golders Green disseram que não se surpreenderam totalmente com o episódio, embora lamentem que ambulâncias tenham sido o alvo. Segundo a Community Security Trust (CST), foram registrados 3.700 atos antissemitas no Reino Unido em 2025, o segundo maior total anual da história da organização, que protege locais da comunidade judaica. Entre os casos mais graves, em 2 de outubro de 2025, durante Yom Kippur, uma sinagoga em Manchester foi alvo de um ataque que deixou duas mortes e três feridos graves.
O CST destacou ainda que o ataque em Londres lembra incidentes recentes na Bélgica e nos Países Baixos, incluindo ataques a sinagogas em Liège e Rotterdam, e uma explosão em frente a uma escola judaica em Amsterdã, sem feridos, mas com danos materiais.
Os episódios ocorreram no contexto da guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro por uma ofensiva conjunta de Israel e Estados Unidos contra o Irã. Autoridades belgas informaram que analisam vídeo de um grupo recém-formado reivindicando a explosão em Liège, enquanto investigadores holandeses avaliam possíveis ligações com o Irã no ataque em Rotterdam.
Com AFP