Lisboa lembra um ano do acidente com Elevador da Glória, que deixou 16 vítimas e abalou o turismo
Há um ano, em 3 de setembro de 2025, o Elevador da Glória, um dos símbolos de Lisboa, descarrilou. O acidente matou 16 pessoas e deixou 22 feridos. O caso está longe de ser encerrado, mas as autoridades mantêm um discurso otimista. Os elevadores históricos da capital portuguesa transportam 2,3 milhões de pessoas por ano.
Um ano após o acidente com o Elevador da Glória em Lisboa, que deixou 16 mortos e expôs falhas na manutenção do transporte público terceirizado, a Carris anunciou que licitará um novo funicular seguro em 2027 para operar em 2029. Enquanto investigações e indenizações continuam, o setor turístico tenta lidar com a perda de um de seus maiores ícones, que descarrilou após o rompimento de um cabo de tração e atingiu um prédio, gerando comoção e afetando a circulação dos tradicionais bondes da capital.
Marie-Line Darcy, correspondente da RFI em Lisboa, com agências
O novo funicular da Glória será objeto de uma licitação no primeiro trimestre de 2027, para entrar em operação em 2029. Mas a Carris, responsável pelo transporte público em Lisboa, continua evasiva. Um ano após o acidente dramático que deixou 16 mortos e abalou Portugal, Rui Lopo, presidente da empresa, explica: "O equipamento terá uma cabine semelhante à anterior, mas não será de madeira, será feita de materiais resistentes a impactos e ao fogo, e deverão cumprir as normas europeias de segurança".
As investigações seguem em curso, assim como os processos de indenização das vítimas e de suas famílias. A prefeitura, responsável pela Carris, age com cautela. "Precisamos respeitar o drama, cuidar dele e depois reparar o que for possível", afirma Gonçalo Reis, vice‑prefeito. "Estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance, assim como as equipes técnicas no terreno, as equipes médicas e o apoio psicológico e social".
Os turistas tentam manter o ânimo diante do Elevador da Bica, que está parado. Para Carolina, turista espanhola, a cena é de partir o coração. "É triste, porque quando vim aqui sete anos atrás, pensei que finalmente iria entrar no funicular. Mas é preciso respeitar as vítimas", admite. Para amenizar a decepção, turistas fazem fila para tirar fotos diante da cabine parada.
Relembre o acidente
Em 3 de setembro de 2025, o Elevador da Glória, que liga a Praça do Rossio aos bairros Alto e Príncipe Real, sofreu um grave acidente na capital portuguesa. Ao fazer uma curva, um dos cabos de tração do veículo se soltou, fazendo com que o bonde descarrilasse e batesse contra um prédio.
O acidente expôs a precariedade dos transportes públicos em Portugal, cuja manutenção havia sido terceirizada para uma empresa privada, decisão criticada há anos pelos sindicatos da Carris. A situação é delicada: não só há falta de pessoal qualificado, mas também os salários são baixos e a maior parte dos empregos é precária.
Por outro lado, considerada uma das cidades mais turísticas da Europa e tendo recebido mais de 21 milhões de turistas em 2024, Lisboa tem nos antigos bondes e elevadores uma de suas maiores atrações. Inaugurado em 1885, o Elevador da Glória é um dos símbolos da capital, que, antes do acidente, recebeu 769 mil passageiros em 2024.
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