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Otan e UE apoiam Alemanha após Berlim acusar Moscou de ataque híbrido em Leipzig

Autoridades da Otan e da União Europeia manifestaram solidariedade à Alemanha nesta terça-feira (1º), após Berlim acusar Moscou de estar por trás de um ataque híbrido com drone carregado de explosivos contra o aeroporto de Leipzig, em agosto. O local é considerado um importante centro logístico para o Exército alemão e para a Aliança Atlântica.

1 set 2026 - 15h53
(atualizado às 15h55)
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Resumo
A Otan e a União Europeia declararam apoio à Alemanha após o país acusar a Rússia de um ataque híbrido com drones explosivos no Aeroporto de Leipzig, estratégico para o apoio militar a Kiev. Em retaliação, Berlim determinou o fechamento do último consulado russo em Bonn e do centro cultural Casa Russa, além de planejar novas sanções na UE. Os líderes ocidentais afirmaram que as tentativas do Kremlin de intimidar e desestabilizar a Europa não enfraquecerão a ajuda contínua à Ucrânia.

"A Otan se solidariza plenamente com a Alemanha após o ataque híbrido russo em Leipzig, em 14 de agosto", declarou o secretário-geral da organização, Mark Rutte, na rede X, após conversar com o chanceler alemão Friedrich Merz.

Imagem de arquivo. Um policial caminha ao lado de um robô de desativação de explosivos (EOD) no Aeroporto de Leipzig/Halle em Schkeuditz, Alemanha, em 5 de agosto de 2026, após especialistas em explosivos terem examinado um drone encontrado perto de uma pista de pouso e decolagem.
Imagem de arquivo. Um policial caminha ao lado de um robô de desativação de explosivos (EOD) no Aeroporto de Leipzig/Halle em Schkeuditz, Alemanha, em 5 de agosto de 2026, após especialistas em explosivos terem examinado um drone encontrado perto de uma pista de pouso e decolagem.
Foto: REUTERS - Axel Schmidt / RFI

Segundo Rutte, a aliança protegerá seus membros "contra qualquer ameaça, incluindo ações maliciosas como as ocorridas em Leipzig e em outros locais da Otan".

"As tentativas da Rússia de nos intimidar, enfraquecer nossa unidade e minar nossa determinação em ajudar a Ucrânia são inúteis e fracassarão. Nosso apoio à Ucrânia é inabalável, assim como nosso compromisso com a defesa coletiva da Otan, acrescentou.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que também conversou com Merz, afirmou que "a UE se solidariza plenamente com a Alemanha diante deste ataque da Rússia".

"Manteremos a unidade da União Europeia apesar desses atos graves e cada vez mais frequentes", escreveu em uma mensagem publicada no X.

"A Rússia busca semear desconfiança e medo em nossas sociedades, mas fracassará. Continuaremos apoiando a Ucrânia pelo tempo que for necessário", declarou. Os dois líderes discutirão o tema em uma reunião marcada para quarta-feira, em Bruxelas.

No mesmo dia, o assunto também estará na pauta de um encontro de ministros das Relações Exteriores da União Europeia, na Irlanda.

Apoio de aliados e medidas de retaliação

Outro aliado da Alemanha, a Suécia, também manifestou apoio e anunciou a convocação do embaixador russo em Estocolmo.

"Convocaremos o embaixador russo para expressar o forte protesto da Suécia contra as ações da Rússia", afirmou o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson.

"A Suécia está ao lado da Alemanha e da Ucrânia", acrescentou.

Londres, Varsóvia e Tallinn também elogiaram a resposta alemã.

Berlim anunciou uma série de medidas retaliatórias contra Moscou, entre elas o fechamento do último consulado russo em Bonn, no oeste do país, e do centro cultural russo em Berlim, conhecido como Casa Russa, em 18 de setembro. O governo alemão também pretende propor a inclusão de mais cidadãos russos nas listas de sanções da União Europeia.

Segundo o ministro do Interior, Alexander Dobrindt, e o ministro das Relações Exteriores, Johann Wadephul, a influência do Kremlin no incidente é significativa devido à importância estratégica do aeroporto para o apoio à Ucrânia.

"No conjunto, as investigações policiais, o modo de operação e os relatórios dos serviços de inteligência apontam para a responsabilidade russa na tentativa de ataque ao Aeroporto de Leipzig", afirmou Dobrindt.

Wadephul também prometeu "aumentar a pressão sobre a frota fantasma russa", em referência a navios com situação jurídica questionável utilizados por Moscou para contornar sanções ocidentais.

A tentativa de ataque

No início de agosto, um drone carregado com explosivos foi encontrado na área de carga segura do Aeroporto de Leipzig, próximo a aeronaves de carga ucranianas. Pouco depois, um segundo drone teria atingido um avião cargueiro da DHL.

O artefato localizado perto de uma aeronave ucraniana foi neutralizado por um robô da polícia. Segundo a imprensa alemã, outro drone foi posteriormente encontrado nas proximidades do aeroporto, também com vestígios de explosivos.

"Não vemos o incidente de Leipzig como um caso isolado, mas como parte de um contexto mais amplo de ações híbridas", declarou Dobrindt.

Desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022, a Alemanha e outros países europeus acusam regularmente o Kremlin de promover operações de desestabilização, espionagem e sabotagem em território europeu.

Também nesta terça-feira, um dispositivo explosivo improvisado danificou várias linhas de transmissão de energia próximas a uma usina termelétrica no leste da Alemanha. A polícia informou o incidente, mas não divulgou informações sobre possíveis suspeitos.

Diante do aumento das ameaças, o governo alemão apresentou, em meados de agosto, uma ampla reforma dos serviços de inteligência, ampliando seus poderes de atuação.

Aeroporto tem papel estratégico para a Ucrânia

Segundo Dobrindt, a tecnologia empregada e a coordenação entre os diferentes elementos da operação demonstram alto nível técnico e um considerável esforço organizacional.

Os agentes que realizaram o ataque teriam atuado sob orientação de autoridades estatais russas, afirmou o ministro.

Localizado no leste da Alemanha, o Aeroporto de Leipzig desempenha um papel estratégico no transporte de equipamentos militares para o Exército alemão e para aliados da Otan. O local também serve como base para a fabricante ucraniana de aeronaves Antonov.

Sem citar diretamente Moscou, o chanceler Friedrich Merz advertiu na semana passada que os responsáveis por ataques híbridos contra a Alemanha "pagariam o preço".

O debate político se concentrou rapidamente no fechamento da Casa Russa da Ciência e Cultura, edifício construído em 1984 na antiga Berlim Oriental, próximo à embaixada da Rússia.

Em entrevista ao canal privado Welt TV, o deputado conservador Roderich Kiesewetter afirmou que o prédio funcionava como plataforma para agentes de inteligência russos.

Segundo ele, mais de 100 pessoas vivem no local "sem que ninguém saiba quem são" e o consumo de energia elétrica do edifício seria anormalmente elevado.

Até agora, Berlim vinha defendendo a manutenção da instituição em razão de um acordo bilateral relacionado ao Instituto Goethe, em Moscou.

Com AFP

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